Rapper gay Kevin Fret morto a tiro em Porto Rico

O músico de 24 anos dizia que era o primeiro artista de "latin trap" assumidamente gay.

Oito tiros. O rapper Kevin Fret não tinha hipótese. Foi morto pelas 5.30 da manhã de quinta-feira quando conduzia a sua mota na região de Santurece, na cidade de San Juan, em Porto Rico. Tinha 24 anos e além de músico era um ativista dos direitos LGBT. A polícia está a investigar o caso.

O seu agente, Eduardo Rodriguez, emitiu um comunicado lamentando a morte de Fret e pedindo o fim da violência em Porto Rico: "Kevin era uma alma artística, um sonhador com um coração enorme. A sua paixão era a música e ele ainda tinha muito por fazer", lê-se no comunicado. "Esta violência tem de parar. Não há palavras que descrevam o que sentimos e a dor que nos causa saber que uma pessoa com tantos sonhos tem de partir." E conclui: "Temos de unir todos nestes tempos difíceis, e implorar por paz no nosso Porto Rico amado."

Educado dentro da religião católica, só aos 18 anos o músico percebeu que era homossexual. Fret anunciava-se como o primeiro artista de "latin trap" (subgénero de hip hop) assumidamente gay Numa entrevista à revista Paper, de Miami, no ano passado, Kevin Fret disse: "Vejo que os jovens gays e lésbicas olham para mim como um exemplo, tipo, uau, se ele fez isto, se ele não se importa com que os outros dizem, eu também posso fazê-lo."

De acordo com os jornais de Porto Rico, o músico já tinha sido importunado e atacado várias vezes na rua por pessoas incomodadas com a sua sexualidade.

Kevin Fret lançou o seu single de estreia, Soy Asi, no ano passado. O vídeo teve mais de 600 mil visualizações do YouTube. O rapper também participou no tema Diferente, de Mike Duran.

Com Kevin Fret o número de vítimas de assassínio em Porto Rico só este ano sobe para 22.

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