Poeta uruguaia Ida Vitale vence Prémio Cervantes

A escritora de 95 anos é a quinta mulher a receber este prémio

A poeta uruguaia Ida Vitale é a vencedora do Prémio Cervantes 2018, o mais importante prémio da literatura em castelhano, com um valor de 125 mil euros.

A escritora nascida em Montevideo em 1923 tem uma obra que é geralmente considerada na linha da poesia essencialista.

"Este prémio reconhece uma trajetória poética, intelectual, crítica e tradutora de primeira ordem", disse o ministro espanhol da Cultura, José Guirão, lendo o comunicado do júri.

Ida Vitale "é um referente para os poetas em [língua] espanhola", pela sua "trajetória poética e intelectual", detentora de uma das "mais destacadas e reconhecidas" expressões da poesia, "ao mesmo tempo intelectual e popular, universal e pessoal, transparente e profunda", disse o ministro.

Vitale é a quinta mulher reconhecida com o Cervantes, que já foi entregue a 40 homens. Até agora apenas as espanholas María Zambrano (1988) e Ana María Matute (2010), a cubana Dulce María Loynaz (1992) e la mexicana Elena Poniatowska (2013) foram premiadas.

Nascida em Montevideo, a 2 de novembro de 1923, Ida Vitale afirmou-se como poetisa, jornalista, tradutora e crítica literária. Entre a vasta obra publicada da autora, destacam-se títulos como La luz desta memoria, Procura de lo imposible, Léxico de afinidades, Sueños de la constancia e Cada uno en su noche.

Ida Vitale estudou Humanidades e lecionou até 1974, em Montevideu, quando a ditadura militar a obrigou a exilar-se no México, durante dez anos. Colaboradora de jornais e revistas, fez também parte do conselho assessor da revista Vuelta e do grupo fundador do periódico Unomasuno, no México.

Com esta escolha, o júri interrompe uma regra não escrita do Prémio Cervantes que desde 1996 é entregue, alternadamente, a um autor espanhol e a um latino-americano. Porém, no ano passado, o prémio foi para Sergui Ramírez, da Nicarágua.

Este ano, Ida Vitale, de 95 anos, foi também agraciada com o FIL, um dos mais importantes prémios da literatura latino-americana, concedido a autores vivos. Antes disso, já tinha sido agraciada, entre outros, com o Prémio Octavio paz (2009), o Prémio Alfonso Reyes (2014), o Prémio Internacional de Poesia Federico García Lorca (2016) e o Prémio Max Jacob (2017).

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