Percorrer Praga com John Banville

Visitar Praga com um romance na mão não é tarefa difícil tantos já foram escritos, mas o escritor irlandês John Banville tem um dos melhores itinerários literários sobre a cidade.

John Banville começa o livro Imagens de Praga com a seguinte explicação: "Este livro não é um guia de viagem, nem pretende sê-lo." Continua, esclarecendo o leitor que "as cidades exercem uma forte e estranho fascínio e nenhum é mais forte e estranho do que o poder de Praga sobre o coração do viajante."

As memorias mais antigas do escritor são do inverno em Praga, quando a cidade estava coberta de neve. Foi em 1980, e desde aí Banville visitou Praga as vezes suficientes para a descrever como faz nesta espécie de romance que usa uma cidade como cenário. Que não é a sua única experiência sobre a descrição de uma cidade pois já escrevera um volume do género sobre a capital do seu país em Retalhos do Tempo Um Memorial de Dublim.

Quem ler alguns dos seus romances, A Guitarra Azul ou O Mar, por exemplo, verá que a sua preocupação com os ambientes é grande e no caso de Praga maior ainda porque, como ele mesmo recorda, escreveu um romance que se passava parcialmente em Praga. Um momento sobre o qual diz que "não encarava a cidade como um desafio maior do que recriar cenas no século XVII, porque toda a ficção é invenção e todos os romances são históricos".

Banville não fala apenas da Praga histórica, preocupa-se em analisar as mudanças que foi observando ao longo dos tempos mais recentes, como o dólar enquanto moeda corrente, os jeans em todos os corpos jovens e um McDonald's mesmo em frente à ponte Carlos.

John Banville sobre a beleza de Praga:

"Muito se tem escrito sobre a beleza de Praga, mas não sei se 'beleza' é a palavra adequada a esta cidade misteriosa, confusa, fantástica e absurda sobre o rio Vlatva, uma das três capitais europeias da magia - sendo as outras duas Turim e Lyon."

John Banville sobre Angelo Maria Ripellino:

"No seu livro Praga Mágica, esse extático hino de amor urbi, Angelo Maria Ripellino, representa a cidade como uma provocadora, uma libertina, um diabo de saias. A Praga de Ripellino não é aquela peça de museu de vistas nobres e fachadas milagrosamente preservadas que serviu de cenário a filmes de Hollywood passados no tempo de Mozart e Salieri."

John Banville sobre os artistas:

"Praga tem filhos mais famosos mas nenhum deles, nem mesmo Kafka, conseguiu captar de forma tão tocante a essência do lugar como Sudek no seu mistério e encanto fatigado, na sua beleza trágica, na sua luz e sombra e aquele espaço indefinido entre ambos, o brilho peculiar e velado desta cidade sobre o Vlatva."

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