Paul McCartney recusou participação de Kanye West no novo disco

Em entrevista à GQ, o músico, que acaba de lançar "Egypt Station", conta várias histórias do tempo dos Beatles, como aquela vez em que se masturbou com John Lennon.

Lançado no passado dia 7 de setembro, Egypt Station é o 17º álbum a solo de Paul McCartney. No entanto, aos 76 anos, o músico britânico continua a responder a perguntas sobre a juventude, os anos de 1960 e os Beatles. Foi isso que aconteceu, mais uma vez, com a longa entrevista que deu este mês para revista GQ e na qual revela, por exemplo, que uma das noites de farra terminou com uma masturbação coletiva, com John Lennon e mais algumas pessoas: "Estávamos todos sentados em cadeiras, com as luzes apagadas, alguém começou a masturbar-se e assim o fizemos todos".

No meio da escuridão, de vez em quando alguém gritava o nome de uma rapariga para manter a animação. Como por exemplo Brigitte Bardot, lembra McCartney. Mas a brincadeira terminou quando Lennon gritou o nome de Winston Churchill. "Há tantas históricas assim de quando éramos novos que olhamos para trás e pensamos: eu fiz mesmo isto? Mas era bom e era um divertimento inócuo, não prejudicava ninguém."

Alguém de contar algumas histórias sobre os tempos dos Beatles e as experiências com drogas, o músico fala também de como tem sido envelhecer e de como se sente satisfeito com o que conquistou ao longo destes 76 anos de vida: "Há muitas coisas boas a acontecerem na minha vida e de uma maneira geral tenho-me divertido bastante", diz.

Também fala sobre as várias polémicas que têm surgido com outros músicos, de Quincy Jones a Damon Albarn, passando por Kanye West que, revela, se terá "simpaticamente oferecido para produzir este álbum". O ex-Beatle já tinha trabalhado com ele em FourFiveSeconds mas, desta vez, McCartney recusou: "Sabia a direção que queria seguir. E sabia que seria muito diferente daquela que Kanye quereria tomar."

Esta semana, McCartney mostrou o videoclipe de Fuh You, filmado em Liverpool (na entrevista, o músico explica também o que quer dizer este título que é uma forma divertida e amorosa de dizer "fuck you" quando na verdade ainda se é uma criança):

O músico está neste momento em digressão, com 23 concertos agendados para o Canadá, Japão, Europa (Liverpool a 12 de dezembro e Londres a 16 de dezembro) e Estados Unidos até junho do próximo ano.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?

Premium

Catarina Carvalho

O populismo na campanha Marques Vidal

Há uma esperança: não teve efeito na opinião pública a polémica da escolha do novo procurador-geral da República. É, pelo menos, isso que dizem os estudos de opinião - o número dos que achavam que Joana Marques Vidal devia continuar PGR permaneceu inalterável entre o início do ano e estas últimas semanas. Isto retirando o facto, já de si notável, de que haja sondagens sobre este assunto.