Pacheco Pereira: "Serralves não é uma instituição fofinha"

"O erro que cometemos foi não termos falado logo forte e feio", afirmou o administrador em entrevista ao Público, acerca da polémica em torno da exposição de Robert Mapplethorpe em Serralves, que envolveu a demissão do diretor e acusações de censura

José Pacheco Pereira deu uma entrevista ao Público acerca da polémica em torno da exposição Robert Mapplethorpe: Pictures em Serralves, que resultou na demissão de João Ribas, diretor artístico e curador da exposição.

Acusada publicamente de censura, depois da demissão de Ribas, a administração da Fundação de Serralves negou que esta tivesse existido, afirmando que a existência de uma sala reservada para obras mais explícitas (cuja entrada é reservada a maiores de 18 ou menores acompanhados de um adulto) foi decidida pelo próprio Ribas e que a administração não mandou retirar as 20 obras que inicialmente estavam previstas mas acabaram por não constar na exposição.

Ribas, recorde-se, dissera ao jornal Público antes da inauguração que não haveria salas ou obras reservadas, deixando subentendido que esta decisão fora posteriormente imposta pela administração.

Outro dos pontos da polémica em Serralves foi o facto de terem sido retiradas duas obras horas antes da inauguração da exposição, Dennis Speight (1980) e Larry (1979). É, aliás, por aí que começa a entrevista do Público. "Houve discussão e houve um pedido para mudar duas obras para a sala reservada. Ele resolveu tirá-las", respondeu o historiador e administrador de Serralves que, com Isabel Pires de Lima, representa o Estado no conselho de administração.

Pacheco Pereira reiterou novamente que foi o próprio João Ribas quem "tinha proposto que haveria uma sala com um determinado conjunto de obras, e que se colocariam avisos" e referiu que, depois de o diretor ter dito ao Público que não haveria salas reservadas, ainda antes da inauguração, "a parte executiva da administração fez uma coisa que nunca tinha feito em relação a nenhuma exposição, que foi visitá-la com antecedência..." Nessa altura, segundo o administrador, foi chamada a atenção do diretor e curador para a necessidade de algumas obras serem remetidas para a sala reservada.

Mais do que uma vez, o historiador afirma que o "único erro" cometido pela administração foi "não termos falado logo forte e feio". À parte desse, diz: "Acho que não fizemos nenhuma asneira."

Deixando algumas questões mais detalhadas por responder, Pacheco Pereira insiste também no facto de João Ribas ter ainda inaugurado a exposição e, por isso, obrigatoriamente estar a par da existência da referida sala reservada.

Classificando a acusação de censura por parte de Ribas à administração como "um golpe baixo", Pacheco Pereira diz que a discussão esteve sempre centrada na questão da censura - que nega perentoriamente - e não na "única questão séria, a de saber se uma exposição como aquela devia estar aberta sem limites a crianças".

Quando os jornalistas questionam o administrador acerca do atual clima que se vive na fundação e referem o facto de Serralves estar sem diretor artístico, diretor geral ou diretor do parque, facto que acresce à saída de 18 funcionários desde que esta administração tomou posse, Pacheco Pereira responde: "Serralves não é uma instituição fofinha - não devia usar este termo, que corre o risco de ir para o título -, é uma instituição rigorosa, exigente e dura com quem lá está. É dura com a administração e com quem lá trabalha, mas isso é que explica os resultados."

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