Os Backstreet Boys estão aí para mostrar que as "boy bands" não morreram

A digressão DNA dos Backstreet Boys arranca este sábado em Lisboa. A "boy band" que fez sucesso nos anos 90 está de volta aos tops. E não é a única.

Em janeiro, os Backstreet Boys lançaram o seu 10.º álbum, intitulado DNA, que rapidamente chegou ao 1.º lugar da tabela Billboard nos EUA. Há quase 20 anos que não tinham um número um. Nem eles esperavam tamanho sucesso, admitiu recentemente Nick Carter, um dos elementos da banda. O disco anterior, In a World Like This, tinha sido editado em 2013 e ficou muito longe desse feito. Entretanto, passaram-se seis anos, durante os quais os BSB lançaram um documentário (Show 'Em What You're Made Of, 2015) e apresentaram o espetáculo Larger than Life em Las Vegas (de março de 2017 até abril deste ano).

Foi aí, enquanto a sala se enchia noite após a noite, de fãs que sabiam os temas todos de cor, que começaram a pensar que talvez fosse altura de um "come back" como deve ser, embora não se possa chamar um "regresso" porque, na verdade, eles nunca terminaram. Não se enganaram. O primeiro single de DNA, Chances, trouxe os Backstreet Boys para a rádio e pouco depois já estavam a esgotar salas para a tour de verão, na Europa e nos EUA. A digressão arranca neste sábado, precisamente, na Altice Arena, em Lisboa.

Os Backstreet Boys atuaram na Praça de Touros de Cascais, em 1998, e depois voltaram em 2005, em 2008 e em 2009 para concertos no Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Mas nestes últimos já não conseguiram encher a sala. Em 2014 atuaram no Campo Pequeno. Esta DNA Tour será, dizem, a sua maior digressão em 18 anos. "Estamos apenas a viver o momento", diz Nick Carter, mas não consegue adiantar nenhuma explicação para a longevidade e para o sucesso do grupo norte-americano, além do óbvio: "Crescemos juntos. Conheço estes rapazes desde que tinha 12 ou 13 anos, já nos conhecemos por dentro e fora e criámos as nossas próprias ligações, uma espécie de dinâmica familiar."

Os Backstreet Boys são, desde 1993, Nick Carter, atualmente com 39 anos, Howie Dorough (45), Brian Littrell (44), AJ McLean (41) e Kevin Richardson (47).

Num dos temas novos, No Place, os BSB cantam: "I've been all around the world, done all there is to do/ But you'all always be the home I wanna come home to". Estes são eles. Já fizeram muitas coisas, já viveram muito. Mas essa agitação ficou para trás. "Somos todos pais e temos uma razão para ir trabalhar todos os dias, e temos um motivo para amar aquilo que fazemos", explicou Brian Littrell.

Nos anos 1990, o manager dizia-lhes que não podiam ter namoradas (ou, se tivessem, não deviam mostrá-las publicamente). Agora, eles mostram as mulheres e os filhos nas redes sociais e até nos videoclipes e têm orgulho nas suas famílias. Já não são os rapazes que eram e as suas vozes também estão diferentes. Mas não faz mal, diz Littrell: "Aceitamos o que somos. Aceitamos aquilo que representamos. Aceitamos a nostalgia." Eles sabem que parte do sucesso de 2019 se deve a uma dose de nostalgia da juventude que ataca geralmente as pessoas ali depois dos 35 anos, quando já têm filhos e muitas responsabilidades e começam a ter saudades dos bons, velhos tempos.

Aquela nostalgia que fez com que os britânicos Take That também voltassem à estrada, embora sem Robbie Williams - a Take That Greatest Hits Live começou no passado dia 2 na O2 Arena, em Londres, e não vai passar por Portugal, mas o concerto de 8 de junho será transmitido em direto para vários cantos da Europa, incluindo para este, através dos cinemas UCI (El Corte Inglés, Arrábida 20 e Dolce Vita Tejo). Ainda há bilhetes disponíveis e custam 12 euros.

Também os irlandeses Westlife estão a planear a sua digressão de verão, a que chamaram The Twenty Tour, que marca o regresso ao palco desde 2012. E até os Jonas Brothers anunciaram neste mês uma série de mais de 40 concertos na América do Norte, naquela que será a sua maior digressão em mais de uma década. Nada mau para um género musical, as boy bands, que se julgou estarem à beira da extinção, não é?

Os anos de ouro das boy bands

Os Backstreet Boys apareceram em 1993 e até hoje terão vendido mais de 100 milhões de discos o que os torna a boy band mais bem sucedida de sempre. O termo boy band refere-se a um grupo musical composto só por rapazes. Mas não só: enquanto uma banda é um grupo de músicos que compõem as suas canções e têm um interesse artístico comum, as boy bands nascem geralmente da cabeça de um empresário ou de produtor e os seus elementos são muitas vezes escolhidos por casting para preencher determinados requisitos visuais e vocais.

Tipicamente, os elementos de uma boy band não compõem os temas que interpretam e, na grande maioria dos casos, não tocam qualquer instrumento, limitando-se a cantar. Os Monkees (1966-1971) e os Jackson 5 (1964-1989) são apontados como as primeiras boy bands da história da música pop - embora o termo não fosse ainda usado naqueles tempos.

Em 1977, o produtor porto-riquenho Edgardo Dias foi o responsável pela criação dos Menudo, umas das primeiras boy bands modernas. Os elementos do grupo tinham entre 11 e 16 anos e havia uma regra: qualquer dos membros era substituído quando fazia 16 anos, mudava de voz ou ficava demasiado alto. Além dos vários sucessos musicais, sobretudo durante a década de 1980, os Menudo tiveram programas na televisão e dois filmes. O mais famoso dos Menudo é Ricky Martin, que gravou 11 discos com o grupo entre 1984 e 1987, e saiu com 17 anos, tendo uma ainda mais bem sucedida carreira a solo.

Mas foi a partir do final de meados dos anos 1980 que o género se tornou realmente popular. Os New Kids on the Block surgiram pela mão do produtor Maurice Starr, que, em 1984, decidiu criar um grupo musical só com rapazes que juntasse os ritmos do R&B com a pop. A balada Please don't go, Girl foi o primeiro single, lançado em 1988, e pôs os "novos rapazes" no mapa. Em 1990, deram 200 concertos. Em 1991 estavam no 1º lugar da lista da Forbes dos mais bem pagos no mundo do entretenimento, batendo nomes como Michael Jackson, Madonna ou Prince. Depois de dez anos muito intensos, o grupo fez uma pausa e voltou em 2008 e tem se mantido em atividade desde então, com os cinco elementos originais, mas muito longe do sucesso de outros tempos. Foi com os NKOTB que o fenómeno das boy banda passou a ser designado como tal.

Entretanto, em 1986, no Reino Unido os irmãos gémeos Matt e Luke Gross e juntaram-se a Craig London com o nome Bros. O manager dos Pet Shop Boys, Tom Watkins, foi o responsável pelo grupo que em meia dúzia de anos de atividade se tornou conhecido com temas como When Will I Be Famous e I Owe You Nothing. Em Filadélfia, em 1990, surgiram os Boyz II Men; e na Irlanda, em 1993, os Boyzone. Mas estes eram claramente nomes da segunda liga.

Na primeira liga do campeonato, teríamos que incluir obviamente os Take That, formados em 1989 originalmente por Gary Barlow (que também compunha grande parte dos temas, o que desde logo os diferenciava das outras boy bands), Howard Donald, Mark Owen, Jason Orange e - o mais famoso de todos hoje em dia - Robbie Williams (que na altura tinha apenas 16 anos). Em 1995 os Take That fizeram a sua primeira digressão mundial. Por esta altura, os rapazes bem parecidos apareciam em todas as capas de revistas e nos posters que as adolescentes colavam nas paredes dos quartos. Back for Good foi o seu maior sucesso de sempre. Williams deixou o grupo em 1995 para se fazer ao caminho sozinho (e tem corrido muito bem) e, desde então, os Take That têm tido uma carreira intermitente.

O mesmo produtor dos BSB, Lou Perelman, esteve na origem dos N'Sync, que surgiram na Flórida, em 1995, e contaram com a participação de Justin Timberlake, vindo, tal como JC Chasez, do Mickey Mouse Club. O grupo manteve-se ativo até 2002. Nos últimos anos, mesmo sem Timberlake, que tem um sólida carreira a solo, os músicos dos N'Sync têm se reunido para alguns concertos (atuaram no espetáculo de Ariana Grande em Coachella, este ano).

Em 1998, em Dublin, após a separação dos Boyzone, o seu manager, Louis Walsh, teve a ideia de criar os Westlife. O grupo conseguiu um contrato com o produtor Simon Cowell que os levou ao topo das tabelas de vendas não só no Reino Unido como no resto da Europa e nos EUA. Entre as canções mais conhecidas dos Westlife está Uptown Girl.

Em Portugal tivemos os Excesso. Os cinco elementos - Gonzo, Carlos, Melão, Duck e João Portugal - foram escolhidos num casting e o seu manager era José Varadas. Em 1997, o tema Eu sou aquele foi um sucesso imediato e os excesso puseram-se na estrada para atuar em todo o país. O grupo durou cerca de três anos.

Houve outros grupos de rapazes pelo meio, e já novo milénio, algumas boy bands conseguiram ter bastante sucesso, como os americanos Jonas Brothers, que começaram em 2005. Mas a onda parecia ter passado.

Os One Direction já acabaram?

Quando já se pensava que as boy bands pertenciam ao passado, em 2010, surgiram os britânicos One Direction, grupo que, como quase todas as outras boy bands, tinha cinco elementos: Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Zayn Malik e Harry Styles. Tudo começou com a participação individual no concurso de talentos X Factor. Liam, o mais novo, tinha apenas 14 anos. Na chamada fase de bootcamp, os cinco foram chamados ao palco da Wembley Arena, em Londres. Estavam desolados pois perceberam que iam ser eliminados.

Alinhados no palco, unidos no seu primeiro abraço de grupo, esperavam as palavras do júri. Só que em vez de os mandar para casa, o júri propôs-lhes continuar no concurso mas como um grupo: "Vão ter de trabalhar dez, 12, 14 horas por dia, todos os dias para aproveitar esta oportunidade." Embora o nome One Direction só surgisse mais tarde, o grupo começou ali. Terminaram o X Factor em terceiro lugar mas isso não impediu o produtor Simon Cowell, que tinha sido o patrono deles na fase final do concurso, de lhes propor um contrato, através da sua editora.

Os tempos dourados dos One Direction duraram até 2015. E foram intensos. Com um disco por ano e muitos concertos. Os seus quatros primeiros álbuns - Up All Night (2011), Take Home (2012), Midnight Memories (2913) e Four (2014) - chegaram ao primeiro lugar da tabela americana da Billboard. Midnight Memories foi o álbum mais vendido em todo o mundo em 2013. Receberam inúmeros prémios, incluindo Brit Awards e American Music Awards. Atuaram por duas vezes em Portugal: em 2013 em Lisboa e, depois, em 2014 no Porto.

Até que em março de 2015, Zayn Malik anunciou que iria sair da banda. E menos de um ano depois os One Direction entraram oficialmente em pausa, com cada um dos seus elementos a perseguir uma carreira a solo. Até agora nenhum deles conseguir repetir sozinho o sucesso do grupo, mas ainda é cedo para sabermos se algum deles vai ser realmente grande na música.

Na semana passada, Louis Tomlison admitiu que o regresso dos One Direction "é inevitável": "Penso que vai acontecer. Certamente terei algo a dizer sobre isso se não acontecer", disse o músico. Quando? A essa questão ele já não soube responder.

BTS: a boy band que veio da Coreia

Os BTS são sete rapazes de Seul, na Coreia do Sul. E são também a maior boy band do momento, aproveitando todas as potencialidades das redes sociais para colocarem as suas músicas rapidamente nos ouvidos dos jovens de todo o mundo. Com um estilo denominado K-Pop (pop coreana) que, basicamente, é hip hop misturado com música eletrónica, mas com um visual e coreografias herdados da cultura pop oriental, os BTS surgiram em 2013.

O seu nome refere-se à expressão coreana Bangtan Snoyeondan, que se poderia traduzir por qualquer coisa como "rapazes escuteiros à prova de balas". Em 2017, quando começaram a ser conhecidos no estrangeiro, eles mudaram o significado do acrónimo para a expressão inglesa "Beyond the Scene" (por trás da cortina). Também começaram a cantar muitos dos seus temas pelo menos parcialmente em inglês.

O álbum Love Yourself: Tear foi o primeiro disco originalmente não cantado em inglês que chegou ao primeiro lugar da tabela da Billboard em 12 anos. Em 2018 os BTS tornaram-se o primeiro grupo de pop coreana a falar nas Nações Unidas a propósito da campanha "Love Myself", que combate a depressão na juventude. Aliás, o facto de não se limitarem a cantar o amor e os corações partidos, mas também falarem de temas como o bullying e os dilemas da entrada na idade adulta, é geralmente referido como uma das razões para terem tanto sucesso entre os jovens, e não só entre o público feminino (como acontecia geralmente com as boy bands).

Foram também os primeiros artistas coreanos reconhecidos no prémios Billboard, estão na lista deste ano das 100 personalidades mais influentes do mundo (da revista Time) e detêm o recorde de disco que se vendeu mais rapidamente na Coreia: Map of the Soul: Persona.

Concerto de Backstreet Boys
11 de maio
Altice Arena
Abertura de portas: 18.30
Início do espetáculo: 20.00
Primeira parte: Knowle DJ
Bilhetes ainda disponíveis: de 55 euros a 80 euros

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