Presidente diz que jamais serão esquecidas as personagens de Laura Soveral

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que jamais serão esquecidas as personagens interpretadas por Laura Soveral, nem o seu papel no cinema, numa reação à morte da atriz.

"Não esqueceremos as personagens que nos deixou, altivas como a Maria Prazeres de Uma Abelha na Chuva, comoventes como a Aurora de Tabu, porque foi em Laura Soveral que os nossos cineastas pensaram, quando quiseram que o cinema português fosse moderno", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, na mensagem de pesar publicada no 'site' da Presidência da República.

A atriz Laura Soveral "fica sobretudo como presença fundamental do cinema português, em Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes, e em Tabu' de Miguel Gomes, mas também em Francisca ou Vale Abraão, de Manoel de Oliveira", escreve Marcelo Rebelo de Sousa, que lembra igualmente a participação da atriz nos filmes de José Fonseca e Costa, José Álvaro Morais, João Botelho e Teresa Villaverde.

O Presidente da República recorda ainda a interpretação de atriz em textos de Kafka e de Arthur Miller, com o Grupo de Ação Teatral, no Teatro Villaret, em 1970/71, e sua versatilidade, assinalada desde o início da carreira, com os prémios de Melhor Atriz de Cinema e com o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa, em Teatro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)