Presidente diz que jamais serão esquecidas as personagens de Laura Soveral

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje que jamais serão esquecidas as personagens interpretadas por Laura Soveral, nem o seu papel no cinema, numa reação à morte da atriz.

"Não esqueceremos as personagens que nos deixou, altivas como a Maria Prazeres de Uma Abelha na Chuva, comoventes como a Aurora de Tabu, porque foi em Laura Soveral que os nossos cineastas pensaram, quando quiseram que o cinema português fosse moderno", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, na mensagem de pesar publicada no 'site' da Presidência da República.

A atriz Laura Soveral "fica sobretudo como presença fundamental do cinema português, em Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes, e em Tabu' de Miguel Gomes, mas também em Francisca ou Vale Abraão, de Manoel de Oliveira", escreve Marcelo Rebelo de Sousa, que lembra igualmente a participação da atriz nos filmes de José Fonseca e Costa, José Álvaro Morais, João Botelho e Teresa Villaverde.

O Presidente da República recorda ainda a interpretação de atriz em textos de Kafka e de Arthur Miller, com o Grupo de Ação Teatral, no Teatro Villaret, em 1970/71, e sua versatilidade, assinalada desde o início da carreira, com os prémios de Melhor Atriz de Cinema e com o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa, em Teatro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.