Nuno Markl anunciou a sua saída do Facebook

Humorista mantém ativa a sua página no Instagram.

O humorista Nuno Markl anunciou na madrugada desta terça-feira que vai deixar o Facebook. O locutor da Rádio Comercial justificou a decisão com a falta de utilidade da rede social para a divulgação de trabalhos ou para a discussão de assuntos diversos.

"Estou cansado. Não só esta rede já não tem qualquer utilidade para divulgar trabalho ou para debater assuntos interessantes, como é um viveiro inútil e desgastante de ódios e embirrações", escreveu o humorista no Facebook.

Nuno Markl eliminou o seu perfil pessoal, mantendo no ativo apenas a sua página pública, para agendar "eventos e anúncios" ligados ao seu trabalho. O locutor sente-se incomodado com opiniões alheias sobre temas como as eleições no Brasil e os casos de violação que têm dado que falar nos últimos tempos.

"E, OK, talvez por uma ou outra mensagem de apoio ao Bolsonaro e por um ou outro post dizendo que uma mulher que se roce num homem e que depois diga que não não tem direito a queixar-se (Sim, chamem-me esquisito - mas acho que apologia da violação por pessoas que achava decentes é um bom pretexto para sair daqui)", refere no post, acrescentando que gostava de ver Cristiano Ronaldo a ser absolvido do caso de abuso sexual em que está envolvido.

Markl termina o comunicado dizendo que as pessoas ainda o podem continuar a seguir "no ainda respirável Instagram".

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?