Pela primeira vez há uma novela gráfica entre os nomeados para o Booker

Foram anunciados os 13 livros nomeados para o prémio literário Man Booker. Entre eles, "Sabrina", de Nick Drnaso.

Em comunicado, a organização referiu que entre os 13 nomeados está Sabrina, do cartoonista norte-americano Nick Drnaso, que marca a estreia das novelas gráficas nas listas de candidatos a um dos principais prémios literários da língua inglesa, ao fim de 50 anos de história.

Na sua segunda novela gráfica, o autor começa por nos contar o desaparecimento de Sabrina e o modo como este afeta a irmã Sandra e o namorado Teddy. O que acontece quando aquele que amamos é vítima de um crime violento? - essa é a questão que atravessa este livro, a que a escritora Zadie Smith chamou "uma obra prima". O problema das fake news, o isolamento provocado pela era digital, o controlo de armas são outros assuntos contemporâneos abordados pelo autor, cartoonista e ilustrador que mora em Chicago e ainda não tem 30 anos (nasceu em 1989). O seu primeiro livro, Beverly, ganhou o prémio de Melhor Novela Gráfica do LA Times. Este ano, com Sabrina, já ganhou o Prémio Revelação do Festival de Angoulême, em França. O júri do Man Booker disse tratar-se de uma obra "oblíqua, subtil e minimal".

O júri selecionou 13 nomeados de um total de 171 obras, de onde se destaca o nome de Michael Ondaatje, com o seu mais recente Warlight, dias depois de o autor ter sido distinguido com o prémio Booker "dourado", atribuído ao melhor premiado de todas as edições do galardão. De uma lista com seis autores do Reino Unido, três dos Estados Unidos e dois da Irlanda e do Canadá, constam ainda a canadiana Esi Edugyan, com Washington Black, o irlandês Donal Ryan, com From A Low and Quiet Sea, o norte-americano Richard Powers, com The Overstory, e a também norte-americana Rachel Kushner, com The Mars Room.

A lista dos nomeados é completada com Snap, de Belinda Bauer, Milkman, de Anna Burns, In Our Mad And Furious City, de Guy Gunaratne, Everything Under, de Daisy Johnson, The Water Cure, de Sophie Mackintosh, The Long Take, de Robin Robertson, e Normal People, de Sally Rooney.

Quatro dos livros são primeiras obras e quatro autores nomeados têm menos de 30 anos, realça a organização do prémio, havendo um autor já vencedor do Booker (Ondaatje, que o ganhou em 1992 com "O Doente Inglês") e três anteriores nomeados entre os candidatos deste ano.

O júri é composto pelo filósofo Kwame Anthony Appiah, pela escritora Val McDermid, pelo crítico Leo Robson, pela escritora Jacqueline Rose e pela artista Leanne Shapton. "Todos estes livros - que abordam a escravatura, ecologia, desaparecidos, violência urbana, amor jovem, prisões, trauma e raça - retratam algo sobre um mundo na berlinda. Entre as suas muitas qualidades está uma vontade de correr riscos com a forma", afirmou o presidente do júri, Kwame Anthony Appiah .

O Man Booker é um prémio literário atribuído todos os anos ao melhor livro de ficção escrito originalmente em inglês e publicado no Reino Unido. O vencedor recebe 50 mil libras (cerca de 56 mil euros). Os seis finalistas do prémio Man Booker deste ano vão ser anunciados no dia 20 de setembro e o vencedor atribuído no dia 16 de outubro, em Londres.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.