Netflix acusada de censura por retirar episódio na Arábia Saudita

A Netflix retirou da sua plataforma na Arábia Saudita um episódio em que o príncipe herdeiro e o reinado são criticados, nomeadamente pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, revela o Financial Times

No centro da polémica que está a valer à Netflix acusações de censura está um episódio satírico intitulado "Ato Patriota com Hasan Minhaj", no qual o humorista norte-americano fala sobre o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi e critica o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, assim como a campanha militar liderada pela Arábia Saudita no Iémen.

"Está no momento de reavaliar a nossa relação com a Arábia Saudita", afirmou o humorista e comentador político Hasan Minhaj, que nasceu numa família indiana de origem muçulmana, durante o episódio disponibilizado pela maior plataforma de distribuição de filmes e séries online.

No episódio, Hasan Minhaj acrescenta que "há pessoas na Arábia Saudita que lutam por reformas reais, mas Mohammed bin Salman não é uma delas".

De acordo com o Financial Times , a Netflix acabou por retirar o episódio depois de ter recebido um pedido do reino para que o fizesse, com a justificação de o vídeo violar uma lei contra crimes cibernéticos.

"Apoiamos fortemente a liberdade artística em todo o mundo e só retirámos este episódio na Arábia Saudita, depois de receber uma solicitação legal válida tendo em conta a legislação local", confirmou a Netflix em declarações ao Financial Times.

Karen Attiah, escritora e editora da Global Opinions para o Washington Post, que editava os trabalhos de Jamal Khashoggi para aquele jornal, classificou a medida de "escandalosa".

À posição da escritora juntaram-se muitos internautas que gritaram censura no Twitter.

Jamal Khashoggi, jornalista crítico do Governo da Arábia Saudita, foi brutalmente assassinado no início de outubro por agentes sauditas no consulado do seu pais em Istambul.

Três meses depois da morte, o corpo do jornalista ainda não foi encontrado. As autoridades turcas revelaram que o corpo tinha sido desmembrado e retirado do consulado, mas persistem dúvidas sobre o caso.

Exclusivos

Premium

Leonídio Paulo Ferreira

Nuclear: quem tem, quem deixou de ter e quem quer

Guerrilha comunista na Grécia, bloqueio soviético de Berlim Ocidental ou Guerra da Coreia são alguns dos acontecimentos possíveis para datar o início da Guerra Fria, que alguns até fazem remontar à partilha da Europa em esferas de influência por Churchill e Estaline ainda o nazismo não tinha sido derrotado. Mas talvez 29 de agosto de 1949, faz agora 70 anos, seja a melhor opção, afinal nesse dia a União Soviética fez explodir a sua primeira bomba atómica e o monopólio da arma pelos Estados Unidos desapareceu. Sim, foi o teste em Semipalatinsk que estabeleceu o tal equilíbrio do terror, primeiro atómico e depois nuclear, que obrigou as duas superpotências a desistirem de uma Guerra Quente.