João Ribas: "Nenhuma direção artística deve ser alvo de sistemáticas ingerências"

"Não me restou alternativa melhor e mais consentânea com a ética profissional que perfilho senão a demissão de funções", afirmou João Ribas, que deixou a direção do Museu de Serralves na sequência da inauguração da exposição Robert Mapplethorpe: Pictures.

O diretor demissionário do Museu de Serralves, João Ribas, disse nesta quarta-feira que apresentou a demissão "face à violação continuada" da sua "autonomia técnica e artística" e porque "nenhuma direção artística deve ser alvo de sistemáticas ingerências".

"Face à violação continuada da minha autonomia técnica e artística e do livre exercício das minhas funções, e por respeito ao Museu de Serralves enquanto instituição de referência nacional e internacional, não me restou alternativa melhor e mais consentânea com a ética profissional que perfilho, senão a demissão de funções", declarou o curador, numa carta a que a Lusa teve acesso.

O diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves demitiu-se depois da inauguração, na última quinta-feira, da exposição Robert Mapplethorpe: Pictures, que comissariou, e que foi reduzida de 179 para 159 obras, fruto de "interferências e restrições" da administração, de acordo com o curador.

Fotografias de nus, flores, retratos de artistas como Patti Smith ou Iggy Pop, e imagens de cariz sexual compõem a primeira exposição em Portugal do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe, que incluía ainda uma sala reservada a maiores de 18 anos com obras consideradas mais sensíveis.