Músicas do Mundo. O melhor da primeira parte

O Festival Músicas do Mundo encerrou as atividades em Porto Covo e muda-se nesta segunda-feira para Sines. O melhor dos primeiros quatro dias teve tons psicadélicos.

A fornada inicial de concertos do Festival Músicas do Mundo, realizada no Largo Marquês de Pombal, em Porto Covo, começou com fado e terminou com psicadelismo eletrónico-tropical.
O que se viu na aldeia foi mais do que uma entrada para a refeição principal que se avizinha em Sines, embora até quarta-feira ainda se sirva em doses de dieta (quatro concertos diários fora do castelo e da Avenida Vasco da Gama).

Em termos musicais, a riqueza sonora e eletrizante dos turcos Baba Zula e dos colombianos Meridian Brothers levaram a palma. Os primeiros (no sábado) como porta-estandartes do rock psicadélico de Istambul, os segundos (no domingo), num regresso triunfal ao FMM, na sua original abordagem em que dissecam os ritmos latinos e os transformam num incatalogável objeto dançante.

Novidade na edição dos 20 anos, o FMM espraiou-se na agenda e passou a ocupar dez dias, pelo que iniciou na quinta-feira. Talvez por pagar o preço da experiência, talvez por ainda não ter chegado o fim de semana, o dia inaugural esteve longe de acolher as multidões dos dias seguintes.
A homenagem musical dos norte-americanos Barbez aos voluntários que foram combater o fascismo na guerra civil espanhola destacou-se nesse aquecer de motores, com o público a acompanhar o grupo nova-iorquino n'A Internacional ou em Bella Ciao.

Começou e acabou em festa o segundo dia do festival. O trio Monsieur Doumani misturou o folclore de Chipre (do qual se destaca a sonoridade da guitarra típica, tzouras) com um ritmo e arranjos ao gosto da assistência - de qualquer que goste de música, dir-se-ia. A noite terminou em modo salão de baile, com o funaná do Fogo Fogo.
Pelo meio, a brasileira Karina Buhr desassossegou os espíritos com a sua performance em que teatralidade, canto e percussão se dividem para servir letras em que os direitos das mulheres estão no primeiro plano.

Meszecsinka e Kroke, o primeiro no sábado, o segundo no domingo, foram duas viagens bem-sucedidas pelas sonoridades do leste europeu.

Uma viagem no tempo foi o que os espectadores tiveram ao testemunhar o espetáculo de Robert Finley. Um homem de altura e voz imponentes, quase cego e de barba alva, a quem a vida deu uma segunda oportunidade já depois dos 60 anos. Ouvir o antigo carpinteiro a cantar blues e soul foi uma experiência emocionante.