Morreu Jonathan Gold, o primeiro crítico gastronómico a receber um Pulitzer

Jonathan Gold tinha 57 anos e foi vítima de um cancro no pâncreas fulminante. Um crítico gastronómico que se destacou por não escolher para as suas histórias restaurantes famosos mas estabelecimentos pequenos e étnicos.

Não é todos os dias que um crítico gastronómico recebe um Pulitzer, aliás até ter sido atribuído a Jonathan Gold tal nunca acontecera na história deste importante prémio. Não terá sido por acaso que tal aconteceu em 2007, mas porque Jonathan Gold privilegiava no seu trabalho estabelecimentos que fugiam ao radar dos seus colegas, como era o caso de restaurantes pequenos e que eram peritos em sabores de partes do mundo menos divulgadas nos Estados Unidos.

Jonathan Gold faleceu ontem devido a uma doença prolongada aos 57 anos e publicava as suas recomendações no jornal Los Angeles Times, tendo antes sido crítico do LA Weekly e da Gourmet. Não escrevia apenas, também tinha um programa de rádio intitulado Comida Boa e no seu currículo conta a particularidade de ter sido funcionário num restaurante pertencente ao cineasta Steven Spielberg.

No início da sua carreira nada faria prever que se tornasse crítico pois era revisor num jornal de Los Angeles enquanto cursava Arte e Música na faculdade. No entanto, ao enveredar por uma exploração dos bairros periféricos da cidade nos textos que propôs, Jonathan Gold foi convidado a escrever uma coluna em 1986 sobre esses recantos menos conhecidos e que geravam curiosidade nos leitores.

Treze anos depois, tendo escrito também sobre música e feito reportagens não-gastronómicas junto das várias etnias estabelecidas em Los Angeles, Jonathan Gold aceitou um convite para se mudar para Nova Iorque e dar continuidade à sua crítica gastronómica numa revista especializada, a Gourmet. Daí até receber o Pulitzer para a crítica gastronómica foi um instante. Entre as razões para a atribuição do prémio estava a "brilhante descrição de um gastrónomo erudito que abrange um leque alargado de escolhas".

Nascido em Los Angeles, filho de dois religiosos, era casado e tinha dois filhos. A doença que o vitimou foi diagnosticada apenas há poucos dias.

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Henrique Burnay

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