Morna de Cabo Verde a bordo de voo da TAP

Músicos do espetáculo "De Lira com Morna" vão animar os passageiros do voo 1553 amanhã, dia 2 de setembro

Amanhã, 2 de setembro, o voo 1553 da TAP, entre Lisboa e Mindelo, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, vai ter um ritmo muito especial. Isto porque os passageiros irão viajar ao som de mornas tocadas ao vivo por um grupo de músicos cabo-verdianos.

Os artistas fazem parte do elenco do espetáculo "De Lira com Morna", que junta música e artes circenses. Será apresentado na mesma ilha, a 7 e 8 de setembro, e tem encenação de Pascoal Furtado e direção musical de Heloisa Monteiro. "De Lira com Morna" conta ainda com alto patrocínio da Presidência da República de Cabo Verde, no ano em que o governo cabo-verdiano entregou na UNESCO a candidatura da morna, o género musical mais emblemático do país, a Património Imaterial da Humanidade, esperando conhecer a decisão em dezembro de 2019.

Cabo Verde contou inclusivamente com o apoio de Portugal em todo o processo, com Paulo Lima, especialista na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. Paulo Lima, também investigador da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esteve envolvido nas candidaturas portuguesas ganhadoras do fado, cante alentejano e arte do chocalho.

À chegada ao aeroporto Cesária Évora, o grupo, no qual se inclui o conceituado guitarrista Armando Tito, vai tocar uma morna.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)