Marcelo Rebelo de Sousa no ensaio dos Thirty Seconds to Mars

Banda norte-americana toca esta quarta-feira à noite no Altice Arena em Lisboa, mas antes passou pelo Altice Fórum em Braga, onde se cruzou com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Altice Fórum de Braga foi inaugurado esta terça-feira na presença de convidados muito especiais: o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e a banda norte-americana Thirty Seconds to Mars.

Durante uma visita ao espaço, que está dotado da segunda maior sala de espetáculos do país a seguir ao Altice Arena em Lisboa, com capacidade para 12 mil espectadores, o presidente deparou-se com o ensaio do grupo.

Formado em 1998 em Los Angeles, na Califórnia, os Thirty Seconds to Mars são compostos pelos irmãos Jared e Shannon Leto. E integraram, até há pouco tempo, o guitarrista Tomo Milicevic, que deixou a banda em junho.

Quando viram Marcelo, conta a jornalista Liliana Costa da TSF, os elementos da banda que estavam a ensaiar perguntaram se o chefe do Estado queria dar uns toques na bateria. Mas ele não se arriscou a tanto. Antes preferiu tirar uma fotografia. Sempre é uma coisa que está mais habituado a fazer e com bastante frequência.

Numa imagem captada pelo fotógrafo Hugo Delgado, da agência Lusa, Marcelo surge abraçado ao baterista Shannon Leto. Segundo aquela repórter da TSF os elementos da banda dos EUA que estavam a ensaiar naquela momento disseram que já tinham "ouvido falar coisas boas" sobre o presidente de Portugal.

Na sua página de Facebook, o Altice Fórum Braga pôs um vídeo do concerto desta terça-feira, em que os Thirty Seconds to Mars cantam "Closer to the Edge", um dos seus temas mais conhecidos, do álbum "This is War".

Depois da atuação no Altice Fórum de Braga, antigo Parque de Exposições de Braga, o grupo liderado por Jared Leto atua esta quarta-feira à noite no Altice Arena, no Parque das Nações, em Lisboa.

O concerto esteve inicialmente previsto para 10 de abril, mas foi cancelado, tendo passado para 12 de setembro. Os bilhetes que já tinham sido adquiridos para aquele espetáculo foram transferidos para este.

A banda vem apresentar ao vivo, entre outros, os temas de "America", o seu novo álbum, editado em abril. "Rescue Me" é um dos temas deste álbum, uma canção que, nas palavras do próprio Jared Leto, fala "sobre ter fé, sobre a liberdade, sobre a guerra que todos travamos contra os medos, ansiedade, sobre a esperança de viver uma vida cheia de felicidade e sonhos".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".