Marcelo leva 22 mil a Belém

Festa do Livro terminou este domingo com concerto de Miguel Araújo e António Zambujo

À terceira edição, a Festa do Livro de Belém conseguiu superar o número de visitantes da estreia, em 2016. Foram 20 mil nesse ano, 12 mil em 2017, cerca de 22 mil este ano, disse Marcelo Rebelo de Sousa, em palco, este domingo, antes do concerto de Miguel Araújo e António Zambujo no Pátio dos Bichos.

"Ontem estiveram cá o presidente da Assembleia da República e membros do corpo diplomático", disse, referindo-se ao concerto de Camané, no sábado à noite. "Estava uma noite fabulosa e estiveram sentados lado a lado representantes de países que podem ter os seus problemas. Estava a ouvir o Camané e dei comigo a pensar: 'qual é o palácio presidencial em que está este clima, esta qualidade, embaixadores de países de todo o mundo, representantes de órgãos de soberania e estão à vontade'. Só em Portugal é que temos esta característica pacífica, conquista da democracia", disse.

E enquanto mais de 1200 pessoas assistiam ao espetáculo, contas do Presidente da República, mais de uma centena ainda esperava na rua, ao portão do Palácio de Belém.

Este domingo, Marcelo Rebelo de Sousa apareceu cerca das 18.00 nos jardins do Palácio, assistiu a parte do debate sobre a Europa com Paulo Rangel e Rui Tavares, moderado pelo assessor da Presidência Pedro Mexia, e saiu rapidamente para uma visita, agendada à última hora, ao Teatro São Carlos, onde decorre o concurso Operalia e Portugal tem um finalista, Luís Gomes. O concurso foi fundado pelo tenor Plácido Domingo, que foi condecorado na sexta-feira.

Um livro sobre Marcelo... e Costa

Um dos livros que deu nas vistas por estes dias foi Marcelo & Costa ainda não chegou às livrarias (só na próxima sexta-feira) nem teve apresentação oficial, mas na Festa do Livro de Belém não passou despercebido. Esgotaram os mais de 100 exemplares disponibilizados para venda nos jardins da Presidência da República, disse a Cultura Editora ao DN.

A história, já se vê pelo título, é sobre o inquilino de Belém. "Um biografia cruzada" como lhe chama o autor, o jornalista da SIC Diogo Torres, que este domingo esteve nos jardins do Palácio de Belém para assinar autógrafos, antes da chegada de Marcelo Rebelo de Sousa.

Foi em 2016, durante uma visita de Estado em que acompanhou os recém-empossados Presidente da República e primeiro-ministro, numa visita oficial a Paris, que decidiu escrever o livro. Arranca nos anos 1980, na Faculdade de Direito, quando António Costa é aluno de Marcelo Rebelo de Sousa.

"Já sei que, quando passou por aqui, o Presidente disse que Costa sai melhor do que ele no livro, mas se fosse ao contrário, Costa diria que é Marcelo", diz Diogo Torres. O autor reservou um exemplar para o biografado, que também já tinha pedido um à editora.

Livros de política para a biblioteca da Presidência

Marcelo Rebelo de Sousa fez "uma loucura de compras", disse na noite domingo. A Festa do Livro abriu na quinta-feira, às 18.00, mas o presidente da República começou a fazer compras às 16.00. "Atrevo-me a dizer que foi o melhor cliente da feira do livro", diz ao DN Bruno Pacheco, secretário-geral da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) ao DN. "Uma vez que estamos num período, não de austeridade, mas de contenção, pensei num orçamento x e gastei x, acho que consegui".

Marcelo Rebelo de Sousa encomendou alguns livros, levou outros. Uma das aquisições foi o livro Capitãs de Abril, da Esfera dos Livros, sobre as mulheres de Capitães de Abril, e para a biblioteca da Presidência da República também foram selecionados uma série de títulos, como Diamantes de Sangue, do jornalista angolano Rafael Marques, Argumentos Necessários, de Augusto Santos Silva e a compilação de ensaios Espectro dos Populismos. Política, portanto.

Três semanas mais cedo

Ao todo, 47 editores (e o Museu da Presidência), representando cerca de 200 marcas editoriais estiveram representados na Festa do Livro em Belém. "Todos os que quiseram", de acordo com Bruno Pacheco.

"A nossa perceção é de que está mais gente", diz, sobre esta terceira edição, um desafio lançado pela Presidência da República à APEL em 2016. "A ideia nunca foi o lucro, mas acho que corre bem. Pensamos cobrir os gastos e acho que é conseguido", refere.

Vários aspetos mudaram este ano: entrada gratuita no Palácio de Belém através do Jardim Botânico Tropical, um chão de gravilha que evita pó (reivindicação dos participantes) e três semanas mais cedo do que há um ano.

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