Jota Quest em Portugal na nova versão acústica

Conhecida pelas enérgicas atuações ao vivo, a banda brasileira de pop-rock desligou a ficha da eletricidade e recriou mais de duas décadas de carreira no disco Acústico Jota Quest, que agora apresentam em Lisboa e no Porto.

Primeiro estranha-se, afinal são mais de 20 anos de carreira, sempre com muita energia e eletricidade em palco, que fizeram dos Jota Quest uma das mais aclamadas bandas do pop-rock brasileiro, como o atestam dois grammy latinos e os quase três milhões de discos vendidos. Mas depois, aos poucos, entranha-se, com calma, a mesma calma, tão pouco habitual nesta banda, com que agora se apresentam em palco neste regresso a Portugal, para apresentar o espetáculo Acústico Jota Quest - Músicas Para Cantar Junto. O concerto é inspirado pelo disco com o mesmo nome, editado o ano passado, naquela que foi a primeira experiência unplugged da banda. Composto por 16 faixas, inclui êxitos antigos mas também alguns inéditos com as participações especiais de Milton Nascimento e Marcelo Falcão (O Rappa). No Brasil, a digressão acústica contabilizou cerca de cem espetáculos, assistidos por 350 mil pessoas. Agora, é a vez de Portugal, onde já não atuavam há seis anos, receber os "novos Jota Quest, com menos eletricidade, mas muito mais sentimento", como os apresenta, nesta entrevista ao DN, o vocalista Rogério Flausino.

Este é um espetáculo completamente diferente do habitual nos Jota Quest, o que mudou na banda desde a última passagem por Portugal, há cerca de seis anos?

Em primeiro lugar tenho de pedir desculpa aos nossos fãs portugueses, porque se tratou, de facto, de uma ausência muito longa da nossa parte. E mesmo esse último espetáculo, em 2012, foi mais direcionado para a comunidade brasileira. Recordo-me muito bem das nossas primeiras atuações em Portugal, em 2004, nos quais fomos muito bem recebidos. E sim, de facto, desta vez, vamos apresentar um show muito diferente, acústico, mas nós continuamos os mesmos Jota Quest de sempre, apenas estamos um pouco mais velhos (risos).

Como é que foi esse trabalho de transformar as vossas canções, habitualmente muito mais elétricas, nestas versões completamente acústicas?

Foi um trabalho feito canção a canção, com muitas discussões entre nós todos, porque afinal estamos habituados a tocar todos esses temas da mesma forma vai para mais de 20 anos. Mas a dada altura encontramos o caminho certo para levar por diante esse trabalho e o resultado final foi muito interessante.

Não só o disco foi um sucesso, como a digressão que se seguiu bateu todos os recordes...

É verdade, no início tivemos algum receio da reação do público, mas acabou por correr muito bem, talvez porque muitas vezes toda a nossa eletricidade acabava por esconder a poesia, melodia e sensibilidade das canções, que desta forma acabaram por renascer.

E como é que foi para vocês, músicos, desligarem os instrumentos da ficha e começarem a tocar em locais mais pequenos, sem andarem aos saltos pelo palco?

Os Jota Quest sempre foram uma banda de grandes arenas, mas decidimos que agora, com este formato, era tempo de partirmos em busca do contrário, de ambientes mais intimistas, que nos permitissem estar mais perto do público, de modo a sentir as suas emoções. Confesso que nos primeiros ensaios, no estúdio, custou um bocado desligar os instrumentos da ficha, mas depois dos primeiros concertos, em teatros mais pequenos, percebemos que foi a decisão certa e que íamos viver momentos muito bons.

Entretanto, já voltaram a palcos maiores...

Sim e até estranhámos (risos). Mas foi bom, porque nos permitiu dar outra rodagem ao espetáculo. Hoje, se for preciso, até tocamos no Rock in Rio (risos).

O que é que vos levou a fazer este disco acústico?

Não sei, talvez a idade e a experiência de uma carreira longa, com todos erros e acertos que isso implica. Sei é que foi feito no momento certo, como a reação do público o comprovou.

Os Jota Quest estão juntos desde 1993 e sempre com a mesma formação, qual é o segredo para esta longevidade?

O facto de ainda continuarmos todos juntos é apenas o resultado da amizade e respeito que sempre sentimos uns pelos outros. Cada um tem o seu feitio, é claro, mas desde o início que o conjunto está sempre acima de qualquer individuo. E passado todo este tempo temos de valorizar isso acima de tudo, porque depois a recompensa é-nos dada pelo público. Acima de tudo estamos muito felizes por termos conseguido o nosso lugar ao sol, enquanto banda.

Enquanto vocalista, acaba por ter muito mais protagonismo neste espetáculo, certo?

Como cantor apenas posso dizer que, nesta digressão, estou a viver os meus dias de paz, sem ter uma guitarra e um baixo estridentes sempre por cima da minha voz (risos).

De que modo é que esta experiência vai influenciar o futuro dos Jota Quest?

Não sei, mas não vamos certamente voltar a ser a mesma banda que éramos. Ganhámos uma certa serenidade que quase de certeza vai acabar por nos influenciar no futuro. Há artistas e bandas que já nascem com todo o talento possível e há outras que vão evoluindo com o tempo e com a experiência, como é o nosso caso. Este disco foi apenas mais um passo nesse sentido.

Acústico Jota Quest - Músicas Para Cantar Junto

Campo Pequeno, Lisboa. 17 de novembro, sábado 22.00. €30 a €50

Coliseu do Porto. 18 novembro, domingo 21.30. €30 a €50

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.