HMB recordam ao vivo os três discos de originais

É um acontecimento inédito em Portugal, com uma banda a tocar durante três noites seguidas, sempre em locais diferentes, toda a sua discografia

Tudo começou durante uma conversa banal entre os membros dos HMB, que a dada altura resvalou para a nostalgia, quando começaram a recordar algumas músicas antigas, daquelas raramente ou mesmo nunca tocadas ao vivo. Uma palavra puxa outra e todas juntas fazem surgir novas ideias, como esta de uma banda dar três concertos seguidos, em diferentes salas lisboetas, para interpretar na íntegra, em cada uma delas, cada um dos seus discos de originais, do princípio ao fim. "Provavelmente já alguém o terá feito algures no mundo, mas aqui, em Portugal, ao que sabemos, é algo inédito", salienta o vocalista Héber Marques, classificando este projeto como "uma reação nostálgica", entretanto tornada em algo muito maior. "Estamos há quatro anos na estrada com um espetáculo de cerca de 90 minutos, muito solidificado, que não nos dá para variar muito em termos de repertório. Sentíamos falta de tocar certas músicas, mais antigas, que deixaram de estar nos nossos alinhamentos".

A ciclo 3x3 começa no Musicbox, a 21, onde se ouvirá o disco de estreia homónimo dos HMB, passando no dia seguinte pelo Lisboa ao Vivo com a interpretação de Sente e termina sábado no Capitólio, para apresentar o último álbum, Mais. Em cada um dos espetáculos, a banda contará com diferentes convidados, que à época também participaram em cada um destes trabalhos, como foi o caso de MC Ary no primeiro, Samuel Uria e Sir Scratch no segundo e Carminho no terceiro, cujo dueto com Héber Marques, no tema O Amor É Assim, se transformou num dos maiores êxitos da banda. "Como vão ser concertos muito especiais e por isso queríamos ter todos os convidados que participaram em cada um dos discos. Por questões de agenda, o DJ Vide e a Da Chick não vão poder estar presentes, mas os restantes aceitaram, o que nos deixou muito felizes, porque todos eles fazem parte deste percurso", sublinha o vocalista.

Um percurso que começou em 2012, com a edição do tal álbum homónimo, no qual se apresentaram ao público com uma sonoridade soul e r&b cantada em português, até então pouco praticada por cá. Para trás ficava todo um início de carreira feito em bares e concursos de música que, segundo a lenda, acabavam sempre por vencer - "Na verdade perdemos um", especifica Héber. Inicialmente cantavam em inglês, mas depressa perceberam que, para sobressair, teriam de o fazer em português. Na altura dos bares, tocavam essencialmente versões, mas, pelo meio, começaram a introduzir alguns originais, que o público depressa começou a reconhecer. "Foi um período de crescimento, que nos deu muita experiência ao vivo, em palcos pequenos, onde se está mesmo cara-a-cara com o público. Fizemos o percurso normal, subindo a pulso neste meio, apenas porque as pessoas gostavam de nos ouvir. Sem falsas modéstias, as canções eram boas, muito orelhudas e com letras com as quais todos se identificavam, o que é meio caminho andado para ter sucesso", defende.

É a estas canções, algumas delas nunca mais tocadas ao vivo, que agora regressam. "Está a ser muito bom voltar a elas, algumas partes estavam um bocadinho enferrujadas, mas a memória muscular continuava cá toda", sustenta. Mesmo assim e apesar do gozo, a tarefa revelou-se hercúlea, devido à dimensão da mesma. "Só depois de começarmos é que vimos a trabalheira em que nos metemos. Estamos a falar de dezenas de músicas, feitas em discos, idades e contextos diferentes, que temos de tornar em algo homogéneo para estes espetáculos. Para já, está a ficar a muito bem. O mais difícil é manter sempre a mesma vibe, que é o que acaba por ser sempre a cola disto tudo", reconhece. Quanto às expetativas para estes três espetáculos, o vocalista recorre a uma tática antiga da banda: "Estamos tão mergulhados nos ensaios e nos arranjos que ainda nem pensámos muito bem em como vai ser, mas temos fé que vai correr tudo muito bem. Enquanto banda, sempre nos baseámos muito na fé e, até hoje, não nos temos dado mal".

HMB 3x3

Musicbox, Lisboa. 21 de fevereiro, quinta-feira 21h30. €15

Lisboa ao Vivo, Lisboa. 22 de fevereiro, sexta-feira 22h. €15

Capitólio, Lisboa. 23 de fevereiro, sábado 21h30. €15

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Foi Centeno quem fez descer os juros?

Há dias a agência de notação Standard & Poor's (S&P) subiu o rating de Portugal, levando os juros sobre a dívida pública para os níveis mais baixos de sempre. No mesmo dia, o ministro das Finanças realçava o impacto que as melhorias do rating da República têm vindo a ter nas contas públicas nacionais. A reacção rápida de Centeno teve o propósito óbvio de associar a subida do rating e a descida dos juros às opções de finanças públicas do seu governo. Será justo fazê-lo?