Duarte, "O Conquistador"!

Miguel Ortega Cláudio faz a crónica da corrida de 9 de agosto, no Campo Pequeno

Quinta-feira (dia 9), no Campo Pequeno, Duarte Pinto chegou e disse: "Estou aqui!". O Duarte é um cavaleiro que merece todas as oportunidades do mundo por parte das empresas e nós, aficionados, precisamos do seu toureio nas arenas. Espero que quem viu o contrate. Quem não o viu, no Campo Pequeno, que acredite no relatou da corrida, porque o triunfo foi simplesmente histórico.

Os toiros de Vale de Sorraia transmitiram, impuseram seriedade e verdade, emoção, no ano da sua estreia com uma corrida completa na arena lisboeta e também no ano da comemoração dos 70 anos da ganadaria. O segundo foi um toiro fantástico e bravo, o primeiro teve classe e codícia, o sexto foi um toiro para o êxito. Mansote foi o quinto, nobre e a transmitir o quarto. Pediram contas, exigiram. E os seis cavaleiros estiveram à altura das circunstâncias. Os ganaderos foram premiados com a volta à arena no sexto da corrida, mas também o poderiam ter sido no segundo.

Andrés Romero, entusiasmando em sortes que tiveram muito mais de arte de rejoneo do que propriamente de risco, teve uma lide de menos a mais. Foi variada em tudo, desde os ferros com acerto aos mais aliviados e até nalguns toques nas montadas.

David Gomes marcou, desde o início, com distinção, demonstrando que ia ali sem meias tintas, com clareza e com decisão. Os ferros compridos, pena a falha da colocação da sorte gaiola, deram o mote ao triunfo, citando de largo, dando prioridade aos toiros, aguentando e reunindo com verdade. Curtos de grande nível, em que sobressaíram as sortes frontais, pisando terrenos de compromisso, rematando as sortes com o temple e a arte. O público reagiu com vibrantes e calorosas ovações.

Rui Salvador impressionou pelas garras, pela ambição, pelo profissionalismo e pela sede de triunfo que, trinta anos depois, continuam a ser apanágio de cada atuação. Ficam na memória os grandes ferros curtos, aqueles que ontem mais fizeram lembrar o grande Salvador dos "ferros impossíveis" de antigamente.

Brito Paes desenhou uma lide de grande seriedade, com ferros curtos de imensa verdade. Resultou emotiva pelo que arriscou e porfiou, valendo-se da sua experiência e das suas excelentes montadas.

Manuel Telles voltou ontem a dar um importante sinal de alerta - como o deram já outros novos cavaleiros, casos de Moura, de Caetano. O Manel esteve acertado, empenhado, toureou com arte e arriscou em terrenos de compromisso, protagonizando momentos em que empolgou mesmo os presentes, sobretudo nos curtos. Uma lide diversificada e de elevado nível artístico.

Parecia que estávamos sentados num anfiteatro, a assistir à lição solene de toureio a cavalo. A atuação de Duarte Pinto, foi um compêndio - oxalá fique registada para ser mostrada aos mais novos - de como se deve tourear a cavalo. Tudo foi perfeito. Tudo foi um desenrolar de saber, de maestria, de bom gosto, também, e de saber estar em praça. Tudo foi harmonia, classe, temple, arte, imensa arte. Infinita.

Esteve que nem um Senhor a receber o toiro, mostrando logo que estava, e ia estar até ao fim, senhor da situação. Dois compridos de poder a poder, dobrando-se na cara do toiro, rematando com suavidade e poderio. Nos curtos foi um assombro de maestria, lidando, colocando, citando, aguentando, quarteando-se, cravando de alto a baixo, "en su sítio", sem falhas, com a classe do seu classicismo, sem passagens em falso, sem tempos mortos. Foi, não tenho dúvidas, a grande atuação desta temporada no Campo Pequeno.

Novamente três grupos de forcados pisaram a arena de Lisboa para baterem as palmas aos Sorraias, Montijo, Moura.

Pega rija e dura, bem executada, à segunda tentativa por João Paulo Damásio dos Amadores do Montijo a abrir a noite.

Gonçalo Borges consumou ao primeiro intento pelos Amadores do Real de Moura. Soube mandar na investida do toiro, fechando-se com decisão.

George Martins Júnior, pelos Amadores de Turlock, esteve bem a citar, poderoso a recuar, reuniu com decisão e grande impacto, aguentando os derrotes ao primeiro intento.

João Pedro Suíças, pelos do Montijo, bem à primeira tentativa. O forcado esteve bem na cara do toiro, fechou-se com galhardia e os companheiros estiveram bem a ajudar.

Rui Branquinho, do Real Grupo de Moura, concretizou pega à terceira tentativa, com uma excelente primeira ajuda.

Steve Camboia, dos Amadores de Turlock, à primeira tentativa numa pega que fechou com chave de ouro esta corrida de homenagem ao emigrante.

Dirigiu a corrida Tiago Tavares, assessorado pelo médico veterinário Moreira da Silva.

Síntese da corrida:

Toiros: Vale de Sorraia bem apresentados e de grande comportamento. Destaque para o segundo e o sexto, no qual os ganaderos António Ribeiro Telles e Manuel Ribeiro Telles deram volta à arena.

Cavaleiros: Andrès Romero, que confirmava a alternativa (Volta); David Gomes, que confirmava a alternativa (Volta); Rui Salvador (Volta); Brito Paes (Volta); Manuel Telles Bastos (Volta); Duarte Pinto (Volta)

Forcados: Amadores de Montijo, Moura e Turlock todos os forcados da cara deram voltas merecidas e aplaudidas à arena.

*As voltas à arena no final das lides são concedidas pelo diretor de corrida como prémio à qualidade da performance artística dos intervenientes ou pela bravura dos toiros.

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