Diário inédito de Saramago e novo volume de Cavaco Silva na 'rentrée' da Porto Editora

Para a época do Natal está previsto ser lançado um livro do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, intitulado "The President is Missing", ainda sem título em português definido

Um diário inédito de José Saramago, do ano em que venceu o Prémio Nobel, um novo romance de Richard Zimler e o segundo volume das memórias de Cavaco Silva são algumas das novidades da Porto Editora, anunciadas esta quinta-feira.

Quando se celebram 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago, a Porto Editora vai publicar o Último caderno de Lanzarote, um diário inédito do autor, descoberto casualmente por Pilar del Rio, correspondente a 1998, ano em que o escritor foi galardoado, anunciou a editora, numa apresentação aos jornalistas, que teve lugar na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa.

O editor Manuel Alberto Valente destacou que este é um "acontecimento de extrema importância, e não só no meio português".

"Este caderno tem características muito especiais: obedece à lógica dos cadernos até à atribuição do Nobel e depois transforma-se numa agenda, onde anota viagens e encontros que tem", afirmou, referindo que o livro vai ser apresentado pela primeira vez no dia da inauguração do Congresso Internacional José Saramago, que decorre em Coimbra, em outubro.

A Porto Editora lança simultaneamente Um país levantado em alegria, livro de Ricardo Viel que relata os bastidores da atribuição do prémio Nobel, "o que foi o turbilhão da vida de José Saramago naqueles dias", e recolhe mensagens que o escritor recebeu de todo o mundo, acrescentou Manuel Valente.

Até ao final do ano vão sair ainda os livros de José Saramago que faltavam incluir na coleção da Porto Editora para ficar com a obra completa no seu catálogo.

O editor anunciou ainda o lançamento, em setembro, de um novo romance de Richard Zimler, Os dez espelhos de Benjamin Zarco, em que o autor "regressa à temática que o tornou mais famoso", com a história de dois primos que foram os únicos sobreviventes de uma família ao Holocausto.

Em outubro, a Porto Editora publica o segundo volume das memórias do antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, "Quinta-feira e outros dias 2 -- Da Coligação à 'Geringonça'".

Sobre a edição deste livro, Manuel Alberto Valente afirmou, brincando, que "todos os editores têm na sua atividade anual uma espécie de euromilhões", que no caso é este livro, cujo primeiro volume foi um "êxito de vendas", havendo já indicadores que apontam para que o mesmo aconteça com este, nomeadamente o número de exemplares que está a ser encomendado pelas livrarias.

"É um livro extremamente importante para a análise dos últimos anos da nossa vida política", acrescentou.

Ainda sem título em português, a Porto Editora vai publicar por altura do Natal um "'thriller' de grande intensidade dramática" escrito pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton em parceria com o escritor James Patterson, intitulado The President is Missing.

Também pela Porto Editora, Cláudia Gomes salientou a aposta na "estreia-sensação" da australiana Holly Ringland, com um romance intitulado As flores perdidas de Alice Hart.

No que respeita à não-ficção, a Porto Editora vai lançar O que aprendi com Bob, um novo livro da série de histórias da amizade entre um homem, James Bowen (o autor), e um gato que adotou.

A apresentação do livro em Portugal contará com a presença do autor e deste "famoso gato", avança a editora.

Próximo Destino, um guia para viagens de sonho em formato 'low cost', escrito pelos autores do premiado blogue Viajar entre Viagens, é outro dos destaques da Porto Editora na área da não-ficção.

Na Sextante Editora, João Rodrigues realçou a ficção estrangeira, com a publicação, em outubro, de Lembranças Adormecidas, o mais recente e primeiro romance de Patrick Modiano depois da atribuição do Nobel da Literatura, em 2014.

A Sextante edita ainda em setembro o último livro de Jean-Paul Dubois, A Sucessão, nunca anteriormente publicado em Portugal e que foi finalista do Prémio Goncourt.

Já na chancela Livros do Brasil, São José Sousa destacou Brincadeira e Divertimento, livro que consagrou o escritor norte-americano James Salter -- de quem a mesma editora já publicou outros dois livros - como "um dos grandes estilistas da prosa do nosso tempo".

No ano em que se assinalam os 130 anos da edição de Os Maias, a Livros do Brasil lança uma nova edição de A Tragédia da Rua das Flores, "o livro que serviu de base à elaboração da obra de Eça de Queirós.

Na mesma chancela vão sair reedições de Doutor Jivago, de Boris Pasternak, A Náusea, de Jean-Paul Sartre, e de A morte feliz, de Albert Camus, os dois últimos esgotados há muitos anos.

Na Coleção Vampiro, a Livros do Brasil decidiu "apresentar novos clássicos policiais aos leitores" e aposta em Mistério em Branco, de J. Jefferson Farjeon, "um clássico da literatura policial, que é simultaneamente um conto de Natal.

"Foi um êxito na altura em que foi lançado [1937] e em 2014, quando foi reeditado pela British Library, tendo atingido o top de vendas", destacou São José Sousa, considerando que é um livro "perfeito para o Natal deste ano e um convite a conhecer o autor".

A poesia vai estar igualmente em grande destaque, na Assírio e Alvim, com o lançamento, até ao final do ano, do primeiro de três volumes da obra poética completa de António Ramos Rosa, e da poesia reunida de António Botto, um dos nomes mais importantes do modernismo português.

Outro destaque da Assírio e Alvim é a publicação, pela primeira vez em Portugal, de uma antologia dos principais poemas de Ron Padgett, "um dos mais importantes poetas norte-americanos vivos", salientou Manuel Alberto Valente.

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João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.