De regresso ao local onde se é feliz

Os Arcade Fire são os grandes cabeças-de-cartaz do Vodafone Paredes de Coura, que teve início nesta quarta-feira. A banda canadiana atua no sábado e está assim de regresso ao palco onde se estreou em Portugal, há 13 anos

Em agosto de 2005, João Simões "era pouco mais que adolescente" de 20 anos, "mas já muita experiência em festivais". Ainda assim aquele tinha um gosto especial, não só por ser a estreia em Paredes de Coura e por daí a poucas semanas ir ingressar na universidade, mas especialmente porque naqueles quatro dias, de uma assentada, ia ver ao vivo algumas das suas bandas favoritas, como era o caso dos Foo Fighters, dos Pixies, dos Queens of the Stone Age e especialmente de Nick Cave and the Bad Seeds. "Não me lembro de quase nada, porque aquele concerto ao fim de tarde, de uns tais Arcade Fire, suplantou tudo o resto", diz este engenheiro civil algarvio, que nunca mais voltou a Paredes de Coura desde então ("os estudos, o trabalho, os filhos, a distância"), mas onde vai regressar este ano. "Mal soube que eles iam voltar àquele local, onde tudo começou, comprei logo o bilhete", confessa João, desde então um fã assumido da banda canadiana, de quem nunca perdeu um concerto em Portugal e até já foi ver a Espanha "uma ou duas vezes".

À época, o grupo liderado por Win Butler e Régine Chassagne era pouco mais que uma promessa, ainda que muito bem encaminhada pelo disco de estreia, Funeral, editado há pouco menos de um ano. "Em 2005, nem de perto nem de longe os Arcade Fire tinham estatuto para serem cabeça-de-cartaz. Eram apenas uma das muitas boas bandas que gostamos de apresentar em primeira mão, como tantas outras que já passaram por Paredes de Coura", diz ao DN o diretor do festival, João Carvalho. Mas "acabou mesmo por acontecer história. Já aqui tivemos alguns concertos verdadeiramente memoráveis e o dos Arcade Fire está seguramente entre os melhores de sempre", garante João, que em 1993, com um grupo de amigos, criou o festival Paredes de Coura, "para entreter a juventude da terra", da qual ele próprio fazia parte. Desde então, o Paredes de Coura, bem como a própria vila que lhe dá o nome, tornou-se não só sinónimo de boa música como numa verdadeira referência no calendário europeu de festivais - chegou a ser considerado um dos 5 melhores festivais de música da Europa pela revista Rolling Stone e, meio a sério meio a brincar, já vários artistas manifestaram vontade de comprar casa na vila, como os americanos Cage the Elephant e Seasick Steve ou o norueguês Erland Oye, dos Kings of Convenience, que quando voltou para atuar no festival fez questão de dormir em Paredes de Coura.

De desconhecidos a estrelas mundiais

Quanto aos jovens desconhecidos que há 13 anos aqui se estrearam, também eles não se esqueceram dessa passagem pelo palco da praia do fluvial do Taboão, como revela João Carvalho: "A troca de e-mails entre a nossa produção e os representantes dos Arcade Fire é bem demonstrativa da alegria que eles sentem por este regresso. Lembram-se bastante bem desse concerto e até já o referiram várias vezes, em diversas entrevistas". Razões suficientes para este responsável antever "mais um concerto marcante. A única diferença vai ser o atual estatuto dos Arcade Fire, que são hoje verdadeiras estrelas mundiais".

A banda canadiana só atua no entanto no sábado, 18 de agosto, e até lá ainda há muita música para ver e ouvir no Vodafone Paredes de Coura, que teve início nesta quarta-feira dia 15. Convidado a identificar quem poderão ser os Arcade Fire deste ano, João Carvalho hesita um pouco, mas depois lá arrisca alguns palpites: "Não sei fazer futurologia (risos), mas talvez os The Blaze e o Marlon Williams ou ainda o Curtis Harding. Todos os anos temos a estreia de alguns novos valores, que anos depois acabam por se tornar grandes estrelas. É algo que tem a ver com o ADN deste festival e que fazemos questão de manter". Durante os quatro dias de festival, vão ainda passar pelos dois palcos do recinto nomes como Conan Osiris, King Gizzard & The Lizard Wizard, Linda Martini, Fleet Foxes, Jungle, The Legendary Tigerman, Kevin Morby, Slowdive, Myles Sanko ou os portugueses Dead Combo, que vão partilhar o palco com o americano Mark Lanegan, em mais um momento com tudo para ficar na história deste festival.

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