Chris Pine nu e os Coen em antologia, assim vai a Netflix

Pérolas de cinema na Netflix e só na Netflix. Hoje chegou o bem satisfatório A Balada de Buster Scruggs, dos Coen e Legítimo Rei, o tal épico com Chris Pine em "full frontal", ainda é novidade no streaming.

São dois filmes que tiveram a sua estreia nos cinemas dos festivais de Veneza e de Toronto e que agora estreiam no streaming, cortesia Netflix. Ambos pedem realmente grande ecrã mas nos dias de hoje a lógica é esta, paciência. David MacKenzie e o seu Legítimo Rei, épico sobre Robert the Bruce, o rei fora-da-lei da Escócia, e os manos Coen com a A Lenda de Buster Scruggs, western dividido em capítulos.

Legítimo Rei é um investimento grande da Netflix, uma mega-produção que nos leva até à Escócia do rei Robert the Bruce, monarca que se rebelou contra os ingleses e encetou uma guerra dura em todo o território. Um filme com uma mensagem política forte: a Inglaterra é um país a ocupar outro país. Infelizmente, Legítimo Rei foi abalroado no Festival de Toronto perante um "hashtag" que desviou todas as atenções dos méritos do filme. Um "hasthag" que destacou a cena em que Chris Pine, depois de uma cena de batalha, olha o horizonte todo nu. Enfim, um nu frontal masculino incomoda muita gente, sobretudo quando o pénis pertence a uma estrela de Hollywood, conhecida de filmes como Star Trek e Mulher-Maravilha.

Mackenzie, valha a verdade, dirige com ferocidade uma história belicista sem medo dos efeitos da violência. É verdade que o filme é bem durinho e explícito, dir-se-ia mesmo que faz de Braveheart - O Desafio de Guerreiro, de Mel Gibson, uma brincadeira de crianças, mas há um fervor à causa escocesa que parece sempre genuíno.

Longe de ser uma obra-prima, este Outlaw King enche os olhos e funciona como um espetáculo de ação bem legítimo. Chris Pine é um rei vigoroso e depois de Hell or High Water- Custe o que Custar (também de Mackenzie), prova que tem uma vida dupla para além da sua canastrice.

Quanto a A Lenda de Buster Scruggs, é possível afirmar que é um belo regresso de Joel e Ethan Coen, sobretudo depois do nada consensual Salve, César. O filme, que era para ser uma série televisiva, é um mergulho forte nas mais variadas formas do western. Um exercício de género com várias histórias no Oeste americano. Episódios separados com tons distintos que mais parecem curtas-metragens com vida própria - a ligar apenas temos um livro a ser folheado quando termina uma e começa outra.

São histórias sobre e lei do mais forte num território que mistura pistoleiros cantores, donzelas perdidas, caçadores de recompensas, prospetores de ouro, assaltantes de bancos e cowboys alcóolicos. É como se os Coen quisessem misturar um peso sepulcral da homenagem às velhas cowboiadas com um olhar pós-moderno e meio "pastiche" desses mesmos filmes antigos. O resultado é uma espécie de caldeirão da verdadeira essência do cinema dos Coen: divertido mas profundo e nostálgico ao mesmo tempo.

Em casa ou no computador, esta antologia vai perder o encanto da fotografia genial das grandes paisagens das pradarias do deserto do Oeste. O aviso fica feito, mas é de assinar a Netflix só para estarmos alguns minutos com atores como Tom Waits, Saul Rubinek, Liam Neeson, James Franco ou a doce Zoe Kasdan...

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