Biblioteca Britânica põe online os livros proibidos. E falam de sexo

São um milhão de páginas sobre sexo que a Biblioteca Britânica de Londres disponibiliza à distância de um "clique". E mostram como a abordagem da sexualidade mudou ao longo dos últimos três séculos.
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"As coleções que compõem este arquivo mostram que as normas culturais em torno do sexo e da sexualidade estão em constante mudança ", explica Paul Gazzolo, diretor da Gale, a empresa que digitalizou os documentos e livros dos" Arquivos de Sexualidade e Género "da Biblioteca Britânica de Londres.

O arquivo tem 5 000 cópias e as fontes de informação são diversas, vão da ciência à literatura, documentos rotulados como "obscenos", uma classificação introduzida em 1850, coincidindo com o auge no trono da Rainha Victoria e o (falso) puritanismo desses tempos. Critérios que foram aplicados até o final do século XX e que consideravam obsceno uma certa nudez que nos tempos atuais é considerada normal.

Mas os documentos mais antigos agora disponibilizados ao público remontam a 1658, com o livro Verdades Raras: O Gabinete de Venus Destrancado e os seus Segredos Abertos, explica o diário britânico The Guardian.

A Biblioteca Britânica disponibiliza na Net um milhão de páginas - publicações do século XVI até o XX. Este material tem três fontes principais: as aquisições ou doações da British Library, pioneira na Europa, a maior parte do arquivo do médico americano Alfred C. Kinsey (1894-1956), fundador do Instituto de Pesquisa Sexual da Universidade do Indiana e a coleção da New York Academy of Medicine, refere o jornal espanhol El Mundo.

O arquivo aborda tópicos como a ligação entre fertilidade e práticas sexuais; mas também a prostituição, a moralidade e a religião; a sexologia e a sexualidade, a medicina e as leis.

"A Biblioteca Britânica oferece uma extraordinária base de dados sobre as diferentes facetas da sexualidade humana durante os últimos séculos, desde a lista de profissionais do sexo no bairro de Covent Garden, em Londres, no século XVIII, até aos truques literários do Marquês de Sade", sublinha Adrian Edwards, responsável pelo Património Impresso da Biblioteca.

Ao colocar todos este material à disposição dos internautas, "esperamos torná-lo visível e acessível como nunca antes", explicou ainda Edwards.

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