Beyoncé volta a casa e traz documentário e disco novos

O filme "Homecoming", disponível na Netflix, acompanha o processo criativo da cantora até chegar ao palco de Coachella em 2018.

Em abril do ano passado, Beyoncé atuou por duas noites no festival de Coachella, nos EUA. Foi a primeira mulher negra cabeça de cartaz do festival e ela fez questão de assinalar esse momento em grande: levou para o palco quase 200 pessoas, incluindo uma orquestra inspirada nas bandas das universidades negras (HBCU - Historically Black Colleges and University), cantores e bailarinos, escolhidos um a um pela própria Beyoncé, de forma a celebrar toda a diversidade da negritude. "Queria que todos os que já se sentiram excluídos sentissem que estavam naquele palco", explica Beyoncé no documentário que se estreou esta quarta-feira a plataforma Netflix, Homecoming.

Escrito, realizado e produzido pela cantora, Homecoming dá-nos alguns momentos da atuação em Coachella - incluindo a participação do marido, o rapper Jay-Z, das duas outras Destiny Child e da irmã, Solange, mas, mais do que isso, leva-nos para os bastidores desse concerto e mostra-nos como ao longo de quase oito meses Beyoncé preparou esse espetáculo:

Mas se o documentário da Netflix tinha sido anunciado, ninguém esperava que Beyoncé lançasse hoje também um disco com a gravação ao vivo do concerto de Coachella. Homecoming: The Live Album está agora disponível no serviço de streaming Tidal, que pertence a Jay-Z. O disco tem 40 temas e inclui como extras uma gravação de Blue Ivy, a filha do casal, cantando Lift Every Voice and Sing, o hino negro que Beyoncé também interpretou em Coachella, e uma nova gravação do tema de Frankie Beverly & Maze, de 1981, Before I Let Go.

Celebrar a negritude, o feminismo, a família

Salpicado de frases de intelectuais negros, o documentário torna claro tudo aquilo que possa ter escapado aos milhares de fãs que assistiram aos concertos e que cantaram as músicas de Beyoncé durante duas horas: isto não é só música, é uma declaração política.

Homecoming é, antes de mais, uma carta de amor às HBCU. Logo no início do filme, Beyoncé explica que não frequentou nenhuma HBCU. "As Destiny's Child foram a minha universidade e a vida foi a minha professora", diz. No entanto, como dirá mais tarde, o seu pai andou numa HBCU - estabelecimentos de ensino que foram criados para combater o segregacionismo e para dar oportunidades aos jovens negros americanos que não tinham acesso a outras escolas. O próprio termo "homecoming" refere-se às festas universitárias, um momento especial nas HBCU. Os figurinos foram pensados como homenagem às bandas universitárias.

Mas para Beyoncé "homecoming" tem também outro significado: Coachella foi o seu regresso ao palco (ou a casa) após uma gravidez e um parto complicados. Com dois gémeos bebés e um corpo no qual não se reconhecia, a cantora começou os ensaios para este concerto como quem enfrenta o maior desafio da sua carreira: fez dieta e exercício ao mesmo tempo que criava um espetáculo do zero, dirigia uma equipa gigantesca e aprendia a ser mãe de três crianças. "Aprendi uma lição: nunca mais me levo àquele limite", conclui.

Porém, naquele momento, ela tinha que o fazer: crescendo como negra e mulher, Beyoncé ouviu muitas vezes que devia ficar quieta e não ter tantas ambições, conta. Mas a mensagem que ela quer dar a todas as mulheres é exatamente a oposta: lutem pelos vossos sonhos.

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