Atriz Vanessa Redgrave recebe prémio carreira no Festival de Veneza

A atriz britânica Vanessa Redgrave vai receber o Leão de Ouro pela carreira no 75.º Festival Internacional de Cinema de Veneza, anunciou hoje a organização.

Em comunicado, o festival explicou que a decisão foi tomada pelo Conselho de Diretores da Bienal de Veneza, presidido por Paolo Baratta, sob recomendação do diretor do Festival de Cinema de Veneza, Alberto Barbera.

"Estou surpreendida e especialmente satisfeita por saber que serei premiada no Festival de Cinema de Veneza pela minha carreira cinematográfica", reagiu a atriz, que venceu em 1966 e 1969 os prémios de melhor atriz do Festival de Cannes, com os filmes Morgan - Um Caso para Tratamento e Isadora, respetivamente.

Barbera declarou que Vanessa Redgrave é "considerada uma das melhores atrizes de hoje", explicando que "as performances sensíveis e infinitamente facetadas de Redgrave criam personagens complexas e muitas vezes controversas".

Nascida em 1937, a atriz estreou-se em cinema em 1958 com o filme Por detrás da máscara, de Brian Desmond Hurst, e participa em televisão desde 1962. Em setembro do ano passado, Vanessa Redgrave esteve em Portugal a apresentar o filme documental Sea Sorrow, que realizou, sobre a crise dos refugiados. Nessa altura, falou com o crítico de cinema do DN, João Lopes;

Este é o segundo Leão de Ouro de carreira a ser anunciado para o 75.º Festival de Cinema de Veneza, depois do anúncio da atribuição ao diretor David Cronenberg. A cada ano, La Biennale atribui dois Leões de Ouro para a Realização da Vida no Festival de Veneza: o primeiro é concedido a um realizador, o segundo a um intérprete.

A 75.ª edição do Festival de Cinema de Veneza decorre de 29 de agosto a 8 de setembro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.