As estreias da semana: Entre Cher e Denzel Washington

Do regresso de Denzel Washington em Equalizer 2, à presença de Cher em Mamma Mia 2, João Lopes e Inês N. Lourenço analisam as estreias da semana.

Poucas estreias... muitas reposições

De repente, a avalancha de estreias de Verão "encolheu". Com todas as promoções orientadas para a sequela de Mamma Mia!, o melhor do que sobra está mesmo nas... reposições. Para que o leitor não esqueça que ainda há quem cultive as grandes memórias cinéfilas, vale a pena repetir que pode ver ou rever a obra-prima final de Ingmar Bergman, Saraband (2003), e ainda a primeira parte de um longo ciclo de clássicos franceses; para já, estão disponíveis Jean Renoir (O Crime do Sr. Lange, 1936), Max Ophüls (Madame de..., 1953), Jean-Pierre Melville (Dois Homens em Manhattan, 1959) e Georges Franju (Olhos sem Rosto, 1960).

À DISTÂNCIA - Cinema venezuelano? É verdade. Eis uma raridade que se saúda, mesmo se este é um título que chega três anos depois da respectiva data de produção e também da sua consagração internacional - arrebatou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2015. O seu ponto de partida é, no mínimo, perturbante: o realizador Lorenzo Vigas concentra-se nos fantasmas de um homem (interpretado por Alfredo Castro, o excelente actor chileno que conhecemos dos filmes de Pablo Larraín) que contrata rapazes pobres das ruas de Caracas para satisfazer os seus impulsos "voyeuristas"... O filme perde-se um pouco num tom vagamente policial, mas não há dúvida que envolve um trabalho de prospecção psicológica que merece ser descoberto.

THE EQUALIZER 2: A VINGANÇA - Não sejamos moralistas: mesmo de um grande actor como Denzel Washington não podemos esperar que a sua filmografia seja uma colecção de filmes excepcionais. Mas é caso para dizer que há filmes e filmes... Por um lado, ele é alguém que consegue proezas como Vedações (2016), o filme que interpretou e dirigiu, tendo valido um Oscar de melhor actriz secundária a Viola Davis; por outro lado, Washington vai esbanjando o seu talento em produções de rotina como este Equalizer 2, sequela de um título de 2014 (ambos com realização de Antoine Fuqua). A personagem do "agente especial" que vive como um samurai moderno não deixa de envolver alguns curioso traços emocionais; infelizmente, o filme vai-se submetendo aos lugares comuns do "filme de acção", deixando apenas a monótona sensação de cópia de cópia.

João Lopes

Mamma Mia 2: os Abba são a banda sonora deste verão

Nesta sequela do grande sucesso há um brinde: Cher partilha o ecrã com o elenco, arrasando nas suas performances musicais. É a lufada de ar fresco num filme que é mais do mesmo

Por aqui, pouco ou nada mudou: a mesma espontaneidade musical, os sorrisos rasgados, a leveza das relações humanas, os tecidos alegres, o mar azul intenso. Não será por acaso que Mamma Mia 2: Here We Go Again!, com assinatura do britânico Ol Parker, começa com a paisagem paradisíaca de um cartão postal nas mãos de Amanda Seyfried. Assume-se, desde logo, a ligeireza de tudo o que se vai seguir. Estamos perante um inequívoco filme de verão, que faz declaradamente "turismo" passando pelas suas personagens como estimados adereços de uma nostalgia consoladora e ansiada. Dez anos depois do enorme sucesso de Mamma Mia!, de Phyllida Lloyd, o título que deu visibilidade a Seyfried, no papel de uma jovem prestes a casar e à procura do verdadeiro pai, chega-nos a sequela deste musical ao som dos ABBA, para fazer render o peixe... sem medo de repetir a dose. Parker dá-nos mais do mesmo, e quem não teve razões de queixa do anterior, fica bem servido.

No primeiro Mamma Mia! a grande estrela era Meryl Streep - a mãe solteira da noiva, que geria um hotel numa ilha grega. Aqui não deixa de o ser, porque embora a personagem já não esteja viva, é o seu espírito e memória que percorrem todo o filme (de resto, obcecado com as suas fotografias). E o que é que se faz sem a presença concreta da "Dancing Queen" Streep? Conta-se a história do seu passado. A história de uma enérgica e aventureira jovem (Lily James), que, não se prendendo pelas suas duas melhores amigas, parte sozinha numa viagem por vários lugares, até chegar à ilha grega onde decide ficar a viver. Pelo caminho, namorou muito... mas isso já se sabia pela confusão dos três "pais" de Seyfried (Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard) do primeiro filme.

Os episódios desse passado alternam com eventos do presente: a organização de uma grande festa no hotel que ficou para a filha, e a reunião, nesse local, de todas as personagens que são bem conhecidas dos fãs. Ainda que sem muita criatividade, Mamma Mia 2 faz então um competente trabalho de reciclagem da alma do primeiro êxito de bilheteira, no intuito de criar um sentimento de conforto e um agradável regresso aos hits dos suecos ABBA. Precisamente, no que diz respeito aos números musicais, há muito - sobretudo para os mais nostálgicos - para deixar o pezinho irrequieto. Aqui, a única surpresa é a presença de Cher, em modo "avó mais-do-que-cool", o astro que eleva a fasquia deste modesto entretenimento com uma fulgurante aparição, cantando Fernando, acompanhada por Andy Garcia, no mais hilariante momento de toda a fita. Só por esta performance, paga-se o bilhete.

A própria Cher disse que este é um "filme divertido, para um tempo em que precisamos de diversão". Parece ser tão simples quanto isto.

Inês N. Lourenço

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