As estreias da semana. Dois documentários marcam a semana cinematográfica

O estilista Alexander McQueen e o cineasta Ingmar Bergman são as figuras centrais de documentários que chegam esta semana ao mercado português

Decididamente, a oferta do mercado cinematográfico português passou a viver numa permanente tensão: por um lado, a diversidade das estreias cresceu imenso, com muitos títulos a surgir todas as semanas nas salas (ou aparecendo quase de seguida em DVD e nas plataformas de streaming); por outro lado, isso provoca um desgaste na própria relação com os potenciais espectadores, até porque muitos dos novos títulos nem sempre conseguem ter campanhas fortes de divulgação (e escusado será dizer que o jornalismo não serve para preencher as lacunas do marketing).

Neste contexto, vale a pena reconhecer que o género documental, mesmo não sendo gerador das receitas mais espectaculares, continua ser uma presença regular. Esta semana, com duas estreias sugestivas.

McQUEEN - Com assinatura de Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, trata-se de evocar a personalidade e a obra de Alexander McQueen (1969-2010), nome emblemático da moda, alheio a convenções, clichés e preconceitos. Além do mais, as imagens de arquivo são exemplares no modo como expõem as mais peculaires condições de trabalho e criatividade.

INGMAR BERGMAN - A VIDA E OBRA DO GÉNIO - Ainda sob o efeito das comemorações do centenário do nascimento do mestre sueco Ingmar Bergman (1918-2007), eis uma viagem de memórias e testemunhos conduzida pela cineasta alemã Margarethe von Trotta. Também aqui importa destacar o valor, tanto informativo como emocional, dos registos de bastidores, quer nas rodagens de filmes, quer durante os trabalhos teatrais.

Esta é ainda a semana de Venom, mais um "blockbuster" com chancela da Marvel, e Thelma, de Joachim Trier, proposta algures entre o terror e o fantástico que tem sido um fenómeno internacional de culto.

Chega também às salas um dos mais ousados projectos da recente produção japonesa: Happy Hour: Hora Feliz, de Ryiusuke Hamaguchi, filme que será exibido em três partes, tendo em conta a duração superior a 5 horas (a segunda e terceira partes surgirão na próxima semana). Isto sem esquecer a reposição de Cyrano de Bergerac, a célebre versão da peça de Edmond Rostand, realizada em 1990 por Jean-Paul Rappeneau, com o admirável Gérard Depardieu no papel central - é também um dos títulos da Festa do Cinema Francês, a decorrer em onze cidades (Lisboa, Almada, Coimbra, Aveiro, Porto, Viana do castelo, Leiria, Beja, Faro, Seixal e Setúbal) até 11 de Novembro.

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