Salas do Museu de Arte Antiga abriram às 12.00 e fecharam... às 13.00

Salas de mobiliário foram abertas às 12.00 e já estão fechadas por falta de vigilantes

Lina Santos
Uma das peças que pode ser vista na renovada sala de mobiliário português do Museu de Arte Antiga© Diana Quintela/ Global Imagens

As salas do mobiliário do Museu de Arte Antiga fecharam durante cinco meses para renovar a museografia, reabriram esta terça-feira às 12.00 para a apresentação e já estão fechadas. A razão? Faltam funcionários que assegurem a vigilância, confirmou o DN junto de fonte do Museu Nacional de Arte Antiga.

António Filipe Pimentel, diretor do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), é o primeiro a reconhecer que o "problema" não é novo. "Temos o drama de todos os anos". Resumiu o caso numa frase ao telefone com o DN esta segunda-feira: "Temos um défice total de vigilantes".

O diretor do MNAA diz que o drama se agudiza todos os anos "quando se aproxima o verão com férias, compensações e turnos". E evidencia-se agora com a reabertura destas salas dedicadas à coleção de mobiliário português, outra etapa da atualização da museografia da instituição.

O caso é semelhante ao que aconteceu quando terminaram as obras de renovação das galerias de pintura e escultura do MNAA. Foram encerradas por falta de vigilantes, algo que continuava a suceder no último trimestre de 2017, como referiu o diretor do museu das Janelas Verdes no momento em inaugurava ao público a exposiçãosobre as obras de arte adquiridas na Madeira (nos séculos XV-XVI) com o dinheiro da produção e comércio de açúcar. "Todos os dias temos de encerrar salas por falta de recursos humanos", disse então.

No fim de 2017, o MNAA tinha 16 vigilantes, mas "deveria ter mais de 30 a 35 para vigiar os espaços expositivos", referiu o diretor, que encerrou as salas de pintura e escultura pouco tempo depois da sua inauguração. Além dos turnos e folgas, António Filipe Pimentel acrescentava o quadro de recursos humanos envelhecido como as causas para o encerramento de várias áreas do museu.

E a sala do mobiliário, agora renovada, era justamente um das mais afetadas.

"Cada um faz a sua parte: ao museu compete investir os seus meios na renovação, ao Estado compete saber se quer ter as salas abertas", diz António Filipe Pimentel ao DN, antecipando a abertura das salas de mobiliário.

Em resposta ao DN, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) respondeu que "não comenta a questão do MNAA"

Fonte do museu explica que não se sabe ainda se abrem amanhã.

Encerrada há cinco meses para renovação, a galeria de mobiliário "era uma espécie de território sombra do museu, vítima dos encerramentos", descreve António Filipe Pimentel. Afinal, "não dá passagem para lado nenhum, pode ser encerrado sem prejuízo."

O objetivo, segundo o responsável do museu, é "dar uma nova frescura, tornar mais luminosa" a galeria dedicada à coleção de mobiliário português. "Há uma nova comunicação, com textos de parede e comentário desenvolvidos."

Estas salas reúnem 190 peças, não só marcenaria, mas também de outras coleções que dialogam com os móveis, como explica a conservadora desta coleção, Conceição Borges de Sousa, e como reforça António Filipe Pimentel. "Não é o mobiliário, é uma história social com a pintura, o têxtil e a cerâmica, que ajudam a integrar o móvel."

Do total de peças que fazem parte da exposição permanente de mobiliário do museu, 15 estavam nas reservas ou são incorporações recentes ao acervo do museu, por depósito ou aquisição como acontece com a cómoda-papeleira do século XVIII de Tenuta, a última aquisição do museu para este coleção, em 2013.

A nova museografia das salas de mobiliário português são parte de um plano amplo que tem vindo a ser levado a cabo no museu. Em setembro abre ao público a galeria dedicada aos têxteis, que fica a caminho da Capela das Albertas, que está a ser alvo de reabilitação, tal com o presépio dos Marqueses de Belas.

(Notícia atualizada às 10.35 com a resposta da DGPC)