Morreu a atriz Laura Soveral

A atriz tinha 85 anos e sofria de esclerose lateral amiotrófica. Entrou no filme "Uma Abelha na Chuva", em 1972, e em séries de televisão como "Morangos com Açúcar".

Maria João Caetano
Laura Soveral recebeu o Prémio Sophia em 2013 | foto Arquivo Global Imagens
No filme "Uma Abelha na Chuva" | foto Arquivo Global Imagens
Com Artur Agostinho e Glória de Matos na estreia do programa "Curto-Circuito" em 1970 | foto Arquivo Global Imagens
Gravação da série "SOS Crianças", com Ruy de Carvalho, em 2000 | foto Arquivo Global Imagens
Laura Soveral e Maria José na série "Chiquititas", em 2007 | foto Arquivo Global Imagens
Em "Tabu", 2015 | foto Direitos reservados

A atriz Laura Soveral tinha 85 anos. Trabalhou em teatro, cinema e televisão. Entre os muitos trabalhos que fez, participou em Uma Abelha na Chuva (1972), de Fernando Lopes, e em Tabu, de Miguel Gomes (2015).

Entre os prémios que recebeu destacam-se o Prémio Bordalo, em 1968, e o Prémio Sophia de Carreira, em 2014.

Laura Soveral nasceu em Benguela, Angola, em 1933. Foi em Lisboa que começou a sua carreira como atriz, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d'Ávila. Estudou Filologia Germânica na Faculdade de Letras e depois mudou-se para o Conservatório Nacional.

Em 1968 recebeu o prémio de Melhor Atriz de Cinema, do SNI, pela sua participação em Estrada da Vida, de Henrique Campos. No teatro, nesses primeiros tempos, destacou-se em O Processo de Kafka (1970), com o Grupo de Ação Teatral e encenação de Artur Ramos, ao lado de Sinde Filipe, Victor de Sousa, Santos Manuel, Glicínia Quartim e muitos outros. E depois também em Depois da Queda, de Arthur Miller, também encenada por Artur Ramos, com atores como Rogério Paulo, Lourdes Noberto e outros.

Em 1972, participou no filme Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes, que adaptava o romance de Carlos de Oliveira e foi uma das obras marcantes do Cinema Novo.

Depois do 25 de Abril viveu no Brasil onde chegou a participar em telenovelas da Globo, como por exemplo O Casarão. No regresso aos palcos portugueses, pudemos vê-la em A Segunda Vida de Francisco de Assis, no Teatro Aberto (1987), numa encenação de Norberto Barroca. Com a Cornucópia fez Primavera Negra, em 1993, encenada por Luís Miguel Cintra. Nos anos 1990, fez vários espetáculos com A Barraca.

No cinema, entrou em filmes como Francisca, Vale Abraão e A Divina Comédia, de Manoel de Oliveira, O Fatalista e Tráfico, de João Botelho, e O Delfim, de Fernando Lopes, entre muitos outros.

Recorde Laura Soveral no filme Tabu, em 2015:

Nos últimos anos, trabalhou sobretudo em televisão. O seu último trabalho foi a telenovela da TVI Belmonte. Participou em séries como Morangos com Açúcar, Chiquititas, Liberdade 21, Tempo de Viver, Ricardina e Marta e Passerelle, entre muitas outras, nos vários canais.

A Academia Portuguesa de Cinema distinguiu-a em 2013, com o Prémio Carreira e, em 2017, com o Prémio Bárbara Virgínia, de homenagem a mulheres do cinema português. Na altura, a academia disse que Laura Soveral representava "um extraordinário exemplo de determinação e profissionalismo para gerações futuras".

Laura Soveral sofria de ELA - esclerose lateral amiotrófica e encontrava-se internada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Doou o seu corpo à ciência, pelo que não haverá cerimónias fúnebres.