Netflix vence em Veneza: Leão de Ouro para "Roma"

O filme "Roma", do mexicano Alfonso Cuáron, produzido pela Netflix, arrebatou o Leão de Ouro do Festival de Veneza.

LusaJoão Lopes
Imagem do filme "Roma" | foto D.R.

Todos os cinéfilos seguiram (e seguem) com especial interesse e ansiedade o conflito entre o Festival de Cannes e a Netflix. Ou seja: porque a plataforma digital não correspondeu à exigência de colocar os seus filmes nos circuitos tradicionais das salas, a Netflix abandonou Cannes.

Foi em maio. Cerca de quatro meses depois, a Netflix não só foi uma das entidades em destaque na programação do Festival de Veneza como acabou por se distinguir de forma eloquente: hoje, ao fim da tarde, o júri oficial presidido por Guillermo del Toro anunciou a atribuição do Leão de Ouro ao filme Roma, do mexicano Alfonso Cuáron, precisamente uma produção com chancela Netflix.

Será que, depois desta distinção no mais antigo certame de cinema do mundo, Roma acabará por ser colocado nos circuitos das salas? Poderá isso acontecer em alguns países, não noutros? Como iremos ver (ou não ver) o filme de Cuáron em Portugal?

Eis algumas interrogações tanto mais pertinentes quanto, como é óbvio, o caso específico deste filme é apenas um sintoma de uma problemática muito mais geral. Em jogo estão os valores culturais e as estruturas económicas das formas de difusão dos objetos cinematográficos. Ou ainda: para o melhor ou para o pior, a chamada idade digital está a transfigurar a nossa própria condição de espectadores.

Segundo os ecos que chegam do Lido, Cuáron evoca a vida da sua família, na década de 1970, no bairro de Roma, na cidade do México. Ainda com produção da Netflix, a nova realização dos irmãos Coen, The Ballad of Buster Scruggs, recebeu o prémio de melhor argumento. O Grande Prémio do Júri, o segundo na hierarquia do palmarés, pertenceu a The Favourite, do grego Yorgos Lanthimos.

Eis o palmarés da 75ª edição do Festival de Veneza:

* Leão de Ouro: ROMA, de Alfonso Cuáron (México)

* Grande Prémio do Júri: THE FAVOURITE, de Yorgos Lanthimos (Grécia)

* Prémio Especial do Júri: THE NIGHTINGALE, de Jennifer Kent (Austrália)

* Melhor realizador: Jacques Audiard (França), por THE SISTERS BROTHERS

* Melhor actor: Willem Dafoe em AT ETERNITY"S GATE, de Julian Schnabel (EUA)

* Melhor actriz: Olivia Colman, em THE FAVOURITE

* Melhor argumento: Joel e Ethan Coen (EUA), por THE BALLAD OF BUSTER SCRUGGS