António Lobo Antunes: "Estar na Pléiade é como receber o Nobel"

A Pléiade é a biblioteca literária mais importante e só publica os grandes autores mundiais. Lobo Antunes é o segundo português, após Fernando Pessoa.

João Céu e Silva
Lobo Antunes será o segundo português, depois de Fernando Pessoa, a integrar a coleção© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

O escritor António Lobo Antunes foi hoje informado de que a Biblioteca Pléiade pretende editar a sua obra na coleção que desde 1931 reúne a obra de uma selecionada lista de grandes autores mundiais. Baudelaire foi o primeiro autor editado; Philip Roth, por exemplo, é um dos mais contemporâneos entre os que têm a sua obra na chancela.

Para Lobo Antunes esta publicação numa coleção tão especial, desde a encadernação ao papel bíblia, tem um valor comparável ao prémio da Academia Sueca: "Estar na Pléiade é como receber um Nobel." Acrescenta: "É uma biblioteca onde se encontram vários Nobel da Literatura."

António Lobo Antunes garante que este era o seu sonho de adolescente "porque é o maior reconhecimento que algum escritor pode ter". A escolha da Pléiade é dedicada pelo escritor "aos meus amigos, aos meus leitores e ao meu irmão José Cardoso Pires, que esteja onde estiver estará muito feliz".

O autor português soube esta tarde da proposta da Plêiade através da sua editora em França, Dominique Bourgois, das edições Bourgois que publica os seus livros naquele país. Nenhum outro escritor português, a não ser o poeta Fernando Pessoa foi até agora incluído na lista dos autores escolhidos. O volume com a obra de Pessoa, Obra Poética, foi publicado em 2001 e contém 2176 páginas.
O processo que agora se inicia vai exigir a tradução da sua obra e deverá abranger vários volumes, sendo provável que comece a ser publicada dentro de dois anos.

A Pléiade foi criada em 1931 por Jacques Schiffrin e pertence à editora Gallimard desde 1933. O objetivo principal era editar obras completas dos autores clássicos. Após a II Guerra Mundial, a Biblioteca da Pléiade atingiu o estatuto de referência devido ao estudo crítico realizado na elaboração dos seus títulos. A introdução de autores contemporâneos fez entrar na lista nomes franceses como Albert Camus, Rimbaud, Montaigne, Julien Green, François Mauriac, Julien Gracq, Claude Simon, Simone de Beauvoir ou Marguerite Duras. André Gide foi o primeiro autor vivo a ter a obra publicada. É também o caso de Milan Kundera. Segue-se agora António Lobo Antunes.

A coleção já vendeu mais de oito milhões de exemplares.