A lista de leituras de Obama tem um padrão

Ao anunciar a sua próxima viagem, o ex-presidente norte-americano elaborou uma lista de livros cuja leitura recomenda. O continente africano é o fio condutor das obras aconselhadas por Barack Obama.

César Avó
Obama na visita anterior ao Quénia, em julho de 2015© Jonathan Ernst/Reuters

Barack Obama vai passar uns dias no Quénia e em África do Sul. O anterior presidente dos EUA aproveitou o mote para fazer uma lista de leituras de verão com meia dúzia de livros de autores africanos ou sobre África. Uma homenagem ao continente para o qual vai viajar.

A lista foi publicada num post do Facebook de Obama.

O primeiro livro aconselhado pelo 44.º presidente dos EUA é Quando tudo se desmorona (Things fall apart), editado em Portugal pela Mercado de Letras. É considerada a obra-prima do nigeriano Chinua Achebe (1930-2013), publicada em 1959.

"Um verdadeiro clássico da literatura mundial, este romance pinta um retrato da sociedade tradicional em luta com a chegada da influência estrangeira, dos missionários cristãos ao colonialismo britânico. Uma obra-prima que inspirou gerações de escritores na Nigéria, em toda a África e em todo o mundo", caracteriza Obama.

O segundo é Um grão de trigo (A grain of wheat), de Ngugi wa Thiongo. A obra do queniano radicado nos EUA é, segundo Obama, "uma crónica dos eventos que levaram à independência do Quénia e uma história convincente de como os eventos transformadores da história pesam nas vidas e nos relacionamentos de cada um". Publicado originalmente em 1967, conheceu edição portuguesa pelas Edições 70 em 1980.

Na lista de Obama segue-se Um longo caminho para a liberdade (Long walk to freedom), a autobiografia de Nelson Mandela, lançada em 1994 e no ano seguinte em Portugal pela Campo das Letras. A mais recente edição é da Planeta. "A vida de Mandela foi uma das histórias épicas do século XX. Este definitivo livro de memórias traça o arco da sua vida a partir de uma pequena aldeia até aos seus anos de revolucionário, a sua longa prisão e, finalmente, sua ascensão a presidente unificador, líder e ícone global. Leitura essencial para quem quer entender a história - e depois mudá-la."

Nem de propósito, na deslocação a África do Sul, Barack Obama irá ser o convidado pela Fundação Motsepe do discurso anual Nelson Mandela. A palestra vai decorrer na terça-feira, em Joanesburgo, na véspera do Dia internacional Nelson Mandela, no estádio Bidvest Wanderers. O norte-americano vai falar sobre "Renovar o legado de Mandela e promover a cidadania ativa num mundo em mudança".

Americanah, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é a leitura seguinte. O livro publicado em 2013 (em Portugal pela Dom Quixote) "de uma dos grandes escritores contemporâneos do mundo vem a história de dois nigerianos a caminho dos EUA e do Reino Unido, levantando questões universais sobre a raça e o sentimento de pertença, a experiência no estrangeiro para a diáspora africana e a busca de identidade e de um lar", comenta Obama.

O quinto livro é o premiado The return, do norte-americano de origem líbia Hisham Matar. "Um livro de memórias belíssimo que habilmente equilibra um guia gracioso através da história recente da Líbia com uma busca obstinada do autor para encontrar o seu pai, que desapareceu nas prisões de Kadhafi". The return foi distinguido com o Pulitzer na categoria de biografia ou autobiografia em 2017.
Em Portugal estão publicados do autor Em terra de homens e Anatomia de um desaparecimento.

Por fim, e a destoar do resto da estante, The world as it is: A memoir of the Obama White House, de Ben Rhodes. Lançado em junho, é o livro de memórias do conselheiro e autor dos discursos de relações internacionais de Obama.

"É verdade, Ben não tem sangue africano a correr nas suas veias. Mas poucos outros veem de tão de perto o mundo através dos meus olhos como ele. Ben é um dos poucos que estiveram comigo desde a primeira campanha presidencial. O seu livro de memórias é uma das reflexões mais inteligentes que eu já vi sobre como abordamos a política externa e uma das histórias mais convincentes que eu já vi sobre o que é de facto servir o povo americano por oito anos na Casa Branca", escreveu Obama.