A estreia da semana. Estreias românticas, "ma non troppo"

Na semana em que estreia uma nova e medíocre versão de "Papillon", o destaque vai para "Milla", da francesa Valérie Massadian, filme a meio caminho entre ficção e documentário

Romantismo? Convenhamos que a palavra caiu em desuso. No mercado do cinema, quase ninguém arrisca empregá-la. Afinal de contas, este Verão, não foram as memórias dos clássicos que encheram as nossas ruas - nas atribulações do trânsito, descobrimo-nos rodeados pelas imagens das mandíbulas gigantes de Meg, esse patético tubarão gigante que apenas consegue imitar (mal) o monstro marinho que Steven Spielberg filmou há mais de 40 anos...

Enfim, não desesperemos. Quanto mais não seja porque, esta semana, dois filmes tentam, por vias bem diversas, acordar em nós alguns fantasmas de devaneios românticos de outros tempos. Nesta perspectiva, o mais óbvio será Juliet, Nua, história amarga e doce de uma mulher que vive com um homem que parece interessar-se mais pela música do "desaparecido" Tucker Crowe do que pela sua própria relação... Até que Crowe surge, realmente, no interior dessa relação. Com Ethan Hawke e Rose Byrne, sob a direcção de Jesse Peretz, trata-se da adaptação do romance homónimo de Nick Hornby (ed. Teorema).

Talvez seja inadequado aplicar o adjectivo "romântico" ao outro exemplo: Milla, da francesa Valérie Massadian. Afinal de contas, este é o retrato de um par algo marginal que enfrenta condições precárias de sobrevivência numa pequena povoação piscatória da zona do Canal da Mancha. O tom dominante leva-nos a convocar, não exactamente a palavra romantismo, mas sim realismo. Em qualquer caso, e evitando revelar as convulsões da intriga, digamos que tudo muda a partir do momento em que surge uma criança... E o facto de Massadian ter feito o filme com Séverine Jonkeere e o seu próprio filho confere a Milla uma tocante pulsação documental (aliás, ganhou a competição internacional do DocLisboa 2017).

Enfim, nem romantismo, nem qualquer emoção, é o balanço triste do novo Papillon, inspirado na auto-biografia de Henri Charrière e, em particular, nas suas memórias de prisioneiro na Guiana francesa, entre 1931 e 1945. Com direcção do dinamarquês Michael Noer, este "remake" de escassa imaginação cinematográfica justifica que revisitemos o Papillon que Franklin J. Schaffner realizou em 1973, com Steve McQueen e Dustin Hoffman - tinha, pelo menos, um genuíno espírito de aventura.

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Nuno Artur Silva

Notícias da frente da guerra

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