A carta em que um Jack Kerouac "on the road" pediu 25 dólares à mãe

Escrita 10 anos antes da publicação do seu clássico On the road, a carta assinada pelo escritor da beat generation está à venda no site Abebooks por quase 20 mil euros.

São três páginas escritas à mão que começam com "Dear Ma". A carta é de 29 de julho de 1947 e Jack Kerouac escreveu-a à mãe Gabrielle durante a viagem épica que dez anos depois resultaria no clássico On the road (Pela estrada fora, na tradução da Relógio d'Água). Nela o escritor, figura maior da beat generation, então com 25 anos, pede-lhe 25 dólares para conseguir ir de Denver, no estado americano do Colorado, à Califórnia, e explica-lhe como os pode enviar pela Western Union em Brooklyn, onde a mãe trabalhava.

Na carta, que está à venda no site Abebooks pelo Whitmore, alfarrabista dedicado aos livros raros, por cerca de 17 600 libras (aproximadamente 19 800 euros) vemos um Kerouac para quem, como se lê no texto de apresentação, a estrada era tão importante como a própria casa. "Não imaginas como sinto a tua falta, e da casa, e de escrever no meu quarto. Estarei de volta daqui a alguns meses e pouparemos algum dinheiro", escreve. Os seus planos, conta na carta, consistiam em "ir andando para poder fazer muito dinheiro a navegar no Pacífico, e voltar a casa no outono, e acabar o meu livro".

Quanto às aventuras em Denver, Kerouac conta que se tem divertido bastante e que assim "que conseguir arranjar uma máquina de escrever" lhe conta tudo. Entretanto: "Tive umas 10 namoradas, subi às montanhas, vi uma ópera, comi ótima comida, comi bife de veado. O tempo está bom e estou num apartamento luxuoso com chuveiro comida e tudo".

Denver é uma cidade particularmente importante para Kerouac, que ali fez a sua primeira verdadeira viagem de estrada e, recorde-se, é a cidade de Neal Cassady, seu amigo próximo e inspiração.

David Barnettt lembra no Guardian que em On the road, o alterego de Kerouac Sal Paradise refere-se à mãe, Gabrielle, como sua tia, e fala desta mesma carta: "Enviei à minha tia uma carta pedindo-lhe 50 dólares e disse que seria o último dinheiro quer lhe pedia. Depois disso ela receberia dinheiro da minha parte assim que entrasse naquele navio."

Na carta, Jack Kerouac, que não chegou a embarcar naquele navio, despede-se como "Jacky", com três beijos.

Exclusivos

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.