5 Filmes que abalaram Toronto

O Festival de Toronto, rampa da próxima temporada dos prémios do cinema, está ao rubro. Um festival onde o cinema de Hollywood joga cartada forte no mercado. Eis os filmes que estão a abalar esta festa da Sétima Arte

If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins, com Kiki Layne e Regina King

Adaptação sentida do romance Se Esta Ruas Falasse, de James Baldwin. O filme teve ovação de pé durante muitos minutos e é já um dos vencedores antecipados do festival.

A história de um casal negro nova-iorquino no final dos anos 1960 cuja vida muda depois de uma acusação injusta da polícia.

Racismo e preconceito num conto que é afinal sobre o amor em estado puro. Superior a Moonlight, filme que deu o Óscar de melhor filme a Jenkins, If Beale Street Could Talk tem emoções de veludo que já são a marca sensorial deste cineasta que filma como ninguém a dor afro-americana.

O "black love" que aqui se expõe é contagiante e muito, muito belo.

Gloria Bell, de Sebástian Lelio, com Julianne Moore e John Turturro

O chileno de Uma Mulher Fantástica volta a filmar em inglês depois de Disobedience (o filme mais aguardado deste QueerLisboa 2018), neste caso para fazer um "remake" de Glória, filme sobre uma mulher de Santiago do Chile que depois de estar separada aos 50 anos quer divertir-se, dançar e ter romance. Agora é Julianne Moore em Los Angeles. Não é por sombras o mesmo filme, é uma reinterpretação. Uma obra sobre o sortilégio do feminino, sobre ainda querermos estar agarrados à vida. Um manguito à infelicidade filmado com uma classe de todo o tamanho.

A imprensa aqui em Toronto já colocou Moore na corrida para o segundo Óscar. Tudo menos exagero.

Ben is Back, de Peter Hedges, com Julia Roberts e Lucas Hedges

O amor incondicional de uma mãe é tema traiçoeiro em Hollywood. Peter Hedges, que já nos tinha encantado com O Amor e a Vida Real, não é João Canijo e opta por uma abordagem de melodrama clássico.
Julia Roberts é a mãe que nunca desiste de lutar pelo filho, um jovem toxicodependente sempre à beira da tentação e da overdose. Tudo se passa na véspera de natal. Um retrato de família que puxa os colarinhos do espetador e que conserva uma intensidade dramática admirável.

A par de Julia Roberts, Ben is Back vai dar muito que falar pela espantosa interpretação de Lucas Hedges (nomeado ao Óscar em Manchester by The Sea), precisamente o filho do realizador.

Vision, Naomi Kawase, com Juliette Binoche

Talvez uma das grandes desilusões do festival. A cineasta de Esplendor está em queda livre. Agora filma uma visita mística de uma francesa (uma Binoche em desequilíbrio total de tom) a uma montanha dos confins do Japão a fim de encontrar Vision. Vision? Sim, diz ela que é uma erva que todos os finais de milénio nasce por ali e ajuda os humanos a enfrentar a dor do mundo.

Emoções em câmara lenta, muitos pôr-do-sol de gosto duvidoso e gotas de orvalho filmadas com afinco são o pão nosso de um filme que tem doçura feminina mas falha em captar o tempo que pára.

Vision abalou o festival pelos piores motivos.

Viúvas, de Steve McQueen, com Viola Davis e Colin Farrell

O realizador de 12 Anos Escravo volta depois de uma paragem de cinco anos com um filme com dois tópicos demasiado embandeirados: o empoderamento feminino e o preconceito racial na América de hoje. Escrito a meias com Gillian Flynn, especialista em personagens de mulheres fortes (a série Sharp Objects saiu do seu teclado), Víuvas narra um golpe de um grupo de mulheres que decide executar um assalto depois de terem ficado viúvas.

McQueen filma tudo com precisão e um sentido de gravidade notáveis, mas está longe da excelência de 12 Anos Escravo e Vergonha. Por aqui, a Fox montou uma campanha pré-Óscares que deverá fazer com que Viola Davis volte a ser nomeada...

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