Idles, o antídoto punk contra o sexismo e o Brexit

Quinteto britânico é a sensação do momento. Em dois anos lançou outros tantos álbuns saídos da mente tão perturbada quanto apaziguadora do vocalista Joe Talbot. Idles regressam a Portugal para concertos no Porto e em Lisboa.

Têm a energia de adolescentes e a mensagem de adultos. Os Idles são autores de temas da maior atualidade, sobre o Brexit, a imigração, o serviço nacional de saúde ou os direitos das mulheres, convertendo raiva em prazer.

Danny Nedelko é o nome de vocalista punk de origem ucraniana do grupo Heavy Lungs e é um single do segundo álbum do grupo, Joy as an act of resistance, que se está a tornar num hino. "O meu irmão de sangue é um imigrante/um belo imigrante/o meu irmão de sangue é Freddie Mercury/uma nigeriana mãe de três", troveja o vocalista, Joe Talbot, para no refrão lembrar com palavras simples e eficazes: "O medo leva ao pânico/o pânico leva à dor/a dor leva à raiva/a raiva leva a odiar." Além de lembrar as raízes indianas do vocalista dos Queen, o tema também menciona a Nobel da Paz, a jovem paquistanesa Malala Yousafzai, o atleta de origem somaliana Mo Farah e o anónimo talhante polaco.

A passagem pelo programa de Jools Holland deu que falar.

"As palavras são a coisa mais poderosa e importante que temos", disse Joe Talbot ao Guardian. Nada é deixado ao acaso e começa no nome do grupo, que significa "desempregados" ou "preguiçosos" mas que se confunde foneticamente com "ídolos". As palavras têm sido a tábua de salvação do vocalista e servido de alimento a um poderoso grupo de guitarras que muitos etiquetam de punk.

O próprio Talbot nega que a banda seja punk, mas sem entrarmos em dissecações é fácil encontrar pontos de contacto com alguns subgéneros do punk, da ética DIY (Do it yourself, faça você mesmo, os vídeos são realizados pelos próprios, por exemplo), às noções de pertença à classe trabalhadora e às letras social e politicamente comprometidas. Embora digam não ser um grupo político, no sentido partidário (se bem que Talbot diz votar trabalhista), são politicamente ativistas.

Se em Great, a saída do Reino Unido da UE é feita em pedaços, há temas que funcionaram como uma terapia para Talbot. Atente-se num tema do primeiro disco, Brutalism.Mother foiescrito após a morte da mãe, de quem o vocalista foi cuidador. É uma homenagem à própria, mas também uma crítica às políticas dos conservadores ("a melhor forma de assustar um tory é ler e ficar rico") e uma crítica ao sexismo ("os homens estão assustados e as mulheres vão rir-se nas suas caras/ enquanto as mulheres tiverem medo são as suas vidas que os homens tiram").

Talbot, que reclama ter vencido o alcoolismo, escreveu as letras de Joy as an act of resistance após a morte da sua filha durante o parto. O disco, no entanto, não reflete um estado depressivo. Como alguém escreveu, é como se alguém fizesse um gesto obsceno à sociedade e nos desse um abraço ao mesmo tempo.

Ao vivo, o quinteto de Bristol dá tudo o que tem em palco. O guitarrista Mark Bowen é um espetáculo à parte, como os espectadores do Hard Club (esgotado) e no Lisboa Ao Vivo vão confirmar na segunda e terça-feira.

Idles

Primeira parte: John

Dia 26 - Hard Club

Dia 27 - Lisboa Ao Vivo

21.00

Bilhetes: 20 euros

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