"Halloween Mata". Terror de autor

Antes de Halloween Ends (2022), chega Halloween Mata, de David Gordon Green, o novo episódio no confronto do assassino americano de máscara branca com a vítima de Jamie Lee Curtis. Assusta e assusta bem!

É um sucesso tremendo nos EUA mesmo estando ao mesmo tempo lá em versão Home Cinema. O segundo filme desta trilogia de sequela de David Gordon Green está a fazer com que a indústria consiga perceber que os lançamentos simultâneos entre streaming e salas podem ser uma via na qual, afinal, não prejudica tanto o negócio dos cinemas.

Na verdade, para quem não viu Halloween versão 2018 , o visionamento desta segunda parte da trilogia sofre algumas limitações. Este segundo ataque de Michael Myers começa precisamente no fim do desenrolar dos acontecimentos do primeiro filme. Torna-se quase impossível perceber-se a quantas se anda caso se chegue aqui sem a matéria dada.

Desta vez, Myers sobrevive em parte por culpa dos bombeiros, que inadvertidamente acabam por retirá-lo do incêndio que Laurie tinha provocado. E sobreviver quer dizer espiral de mortes. O homem da máscara aproveita o Dia das Bruxas para atacar quem por ele passa, em especial um grupo de residentes de Haddonfield que se junta para o matar. Enquanto isso, Laurie , a recuperar no hospital, percebe que o papão está de volta. Algumas das personagens da primeira parte obviamente não resistem à fúria assassina de Myers.

Nesta versão do comediante Danny McBride e David Gordon Green, continua a homenagear-se o espírito pueril do primeiro de todos Halloween, o de 1978, ou seja, o brilhantismo de John Carpenter, um dos maiores cineastas vivos, aqui a contribuir para a partitura musical, mas também aplica-se uma camada subversiva na maneira como se discursa sobre as fake news e a histerias de massa de uma América polarizada - importa perceber que esta nova trilogia foi planeada nos anos Trump. Por muito que à primeira vista a fórmula Michael Myers de matar tudo e todos em modo de papão indestrutível possa parecer repetida, há uma curadoria do medo bem autoral em todo este empreendimento, sempre sem receios de jogar a cartada dos símbolos iconográficos do mal. É que este Michael Myers é cá da casa... Ou como dizem na América, legitimamente old school!

dnot@dn.pt

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