Gulbenkian sublinha carisma de Julião Sarmento

O conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian lamentou esta terça-feira a morte do artista Julião Sarmento, em Lisboa, recordando o seu carisma e apontando-o como "um dos mais importantes artistas portugueses da sua geração".

Em comunicado a Fundação Gulbenkian cita a presidente, Isabel Mota, que o recorda como "um amigo pessoal, mas sobretudo da Fundação, um dos mais carismáticos artistas nacionais cujo percurso foi acompanhado de muito de perto, através de inúmeras exposições individuais e coletivas".

Isabel Mota sublinha que a Gulbenkian se orgulha de incluir no acervo do Centro de Arte Moderna (CAM) "obras excecionais representativas do trabalho do Julião Sarmento ao longo de décadas, que o colocam no centro da produção artística contemporânea internacional".

O artista, que morreu esta terça-feira, em Lisboa, aos 72 anos, está representado na coleção do CAM da Fundação Calouste Gulbenkian com 29 obras, entre as quais pinturas relevantes dos anos de 1980 e 1990, várias séries de gravuras, um filme experimental dos anos 1970, e obras mais recentes que integraram a coleção nos últimos anos.

Em 1993 e em 2000, a fundação foi palco de duas exposições retrospetivas da sua obra que, "a par de um conjunto de subsídios concedidos ao artista, promoveram a sua obra em Portugal e no estrangeiro, sedimentando a sua internacionalização", recorda ainda, no comunicado.

No âmbito das celebrações dos 50 anos da delegação da Fundação Gulbenkian em França, apresentou, em 2016, uma exposição de trabalhos seus em Paris, com curadoria de Ami Barak.

A Biblioteca da Arte da Fundação detém, no seu acervo, cinco livros de Julião Sarmento realizados entre 1995 e 2011.

Autor de uma obra multifacetada, que combinava vários suportes, desde a pintura, a fotografia, o desenho, o vídeo, o som e a performance, Sarmento representou Portugal na Bienal de Arte de Veneza em 1997, e foi alvo de uma exposição pela Tate Modern, em Londres, em 2011.

Em 2012, o Museu de Serralves, no Porto, organizou a mais completa retrospetiva até hoje realizada do seu trabalho, uma obra que mereceu também o reconhecimento com a atribuição do Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA).

Várias vezes distinguido, Julião Sarmento foi condecorado com a Ordem Militar de Sant'Iago da Espada em 1994, a Medalha de Prata de Mérito Municipal, de Sintra, em 1997, o Prémio Universidade de Coimbra, em 2009, bem como o prémio de Artes Plásticas da Associação Internacional de Críticos de Arte -- Secção Portuguesa, em 2012, e o Prémio de Artes Casino da Póvoa, em 2013, segundo a lista de prémios que consta do 'site' do artista.

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