Green Book vence o TIFF e candidata-se aos Óscares

Green Book venceu o prémio principal do Festival de Toronto, o Prémio do Público, indicador sempre vital na corrida aos prémios de 2019. Mas há mais filmes que saem do TIFF com aroma de Óscares. Um festival que é sempre o sortilégio para as estatuetas douradas...

Green Book, de Peter Farrelly, com Viggo Mortensen e Mahershala Ali

O verdadeiro "crowd pleaser" do festival. A história verdadeira de uma digressão do músico Don Shirley pelo sul dos EUA em 1960 e a amizade com o seu motorista nova-iorquino. Um conto de cumplicidade masculina com uma profundidade dramática que se dá francamente bem com o toque de humor humano do realizador de Doidos por Mary e Doidos à Solta. Foi a grande surpresa do festival e a sua vitória no prémio People's Choice costuma significar nomeações certas para os prémios da temporada. Nesse capítulo, Viggo Mortensen é já um dos favoritos aos Óscares.

If Beale Street Could Talk, de Barry Jenkins, com Kiki Lane e Regina King

Adaptação do romance Se Esta Rua Falasse, de James Baldwin, pelo realizador oscarizado de Moonlight, Barry Jenkins. Um filme comovente sobre um casal de afro-americanos confrontados por um erro da justiça. Obra melosa sobre o amor e sobre estar apaixonado.

Jenkins vinca um estilo e adapta-se sem problemas à métrica pausada dos diálogos de Baldwin. O segundo lugar do People's Choice Award e o consenso dos críticos do festival claro que o colocam na rota dos prémios. É de apostar na nomeação de Regina King para os prémios de atriz secundária.

Roma, de Alfonso Cuarón, com Yalitzia Aparicio e Marina de Tavira

Terceiro classificado no Prémio do Público, o filme de Alfonso Cuarón chegou do Festival de Veneza com o Leão de Ouro a Toronto e cedo conquistou imprensa e público, tendo saído de Toronto com o maior "buzz" para a chamada "awards season". Um drama a preto e branco situado no começo dos anos 70 no interior de uma casa de família burguesa no bairro Roma, na Cidade do México. Uma ode ao imaginário do lar que é, afinal de contas, uma odisseia na primeira pessoa- a infância do próprio realizador.

Milagre de cinema, Roma tem uma ética transbordante. Não manipula, não é condescendente e tem uma fé no poder mais puro das imagens. Deslizamos por estas imagens... Em Portugal, ainda não sabemos se terá estreia nas salas. Trata-se de uma produção Netflix que nos EUA apenas terá lançamento simbólico para poder ficar qualificado para os Óscares.

Assim Nasce uma Estrela, de Bradley Cooper, com Bradley Cooper e Lady Gaga

Mais um remake de A Star is Born, desta vez com uma visão sobre um músico da "country" que se apaixona por uma cantora de bar e torna-se responsável pela sua ascensão. Outro título que veio de Veneza e que precisou da aclamação de Toronto para conseguir o tal balanço para a temporada dos prémios.

Assim Nasce uma Estrela tem alguns detratores mas tudo indica que Lady Gaga pode sonhar com a campanha para a temporada dos prémios.

Boy Erased, de Joel Edgerton, com Lucas Hedges e Nicole Kidman

Baseado nas memórias de Garrard Conley, escritor que foi submetido a um tratamento de choque num centro de reorientação sexual pelos seus pais depois destes terem descoberto a sua natureza homossexual. Um filme para além dos subterfúgios do "caso da vida" e sem malapatas de telefilme.

Joel Edgerton filma esta história verdadeira com poder de choque e com uma gravidade que parece sincera.

Cinema que privilegia o trabalho dos atores e que dá a Nicole Kidman uma das grandes interpretações da sua vida, mesmo com reduzido tempo de "antena". Kidman está mais do que garantida na corrida para os prémios de interpretação secundária. Saiu também de Toronto com hipóteses na corrida para melhor atriz principal em Destroyer, de Karyin Kusama, mesmo se o filme tenha ficado chamuscado com críticas negativas.

The Front Runner, de Jason Reitman, com Hugh Jackman e Vera Farmiga

Não foi dos filmes com mais holofotes do festival mas o novo de Jason Reitman deixou no ar uma certeza: Hugh Jackman como Gary Hart lançou a sua candidatura como melhor ator. Críticas unânimes a elogiar o desempenho do ator australiano neste drama sobre o escândalo sexual de Gary Hart, apanhado em flagrante delito enquanto tentava a sua sorte nas Presidenciais de 1988.

Mais uma história verdadeira que mostra um lado podre da política norte-americana. O filme ainda não tem data para Portugal.

Beautiful Boy, de Felix Van Groeningen, com Steve Carell e Timothée Chalamet

Timothée Chalamet, o menino bonito de Chama-me pelo Teu Nome foi talvez o grande herói de Toronto, o rei do "buzz" positivo nesta interpretação de um jovem que tenta lutar contra o vício da toxicodependência e a sua relação com o pai. Chalamet terá conseguido alavanca decisiva para a corrida aos Óscares, embora a Universal tenha já decido lutar pelo ator na categoria das interpretações secundárias, ao passo que Steve Carell vai ter campanha para a interpretação de ator principal. É realmente no Toronto International Film Festival que os estúdios percebem as tendências e lançam as apostas.

Consta que depois da resposta do público e da imprensa, Beautiful Boy vai ter apenas campanha para os seus atores e não para mais altos voos...

The Old Man and The Gun, de David Lowery, com Robert Redford e Sissy Spacek

Outro dos campeões de simpatia do festival. Um tocante requiem para Robert Redford numa história verdadeira sobre um idoso cavalheiro americano que quer despedir-se da vida a assaltar bancos.

David Lowery dirige o filme com aura de "objeto dos anos 1970" e oferece-nos um delicioso thriller com comédia e nostalgia clássica impagável. Torna-se impossível não simpatizar com este humor castiço e velha escola. Nos corredores de Toronto falou-se com insistência que a Academia

pode piscar o olho à classe de Redford neste papel feito à sua medida (embora a história seja cem por cento verídica). Sissy Spacek também teve tantos elogios que poderá ter começado aqui a escrever o seu regresso às nomeações dos principais prémios do cinema americano.

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