Força de Produção fica com a gestão do Teatro Maria Matos

A Força de Produção é a mais bem classificada das três propostas para a gestão do Teatro Maria Matos, em Lisboa. "É uma grande honra e uma grande responsabilidade", diz a produtora

A proposta da Força de Produção foi a mais bem classificada das três propostas para a gestão do Teatro Maria Matos que chegaram à EGEAC, segundo uma nota da empresa que gere vários equipamentos culturais em Lisboa.

"É uma grande honra e uma grande responsabilidade", diz a produtora Sandra Faria, ao telefone com o DN. "Estamos todos felizes, mas com grande sentido da responsabilidade", reforça.

Os outros candidatos à gestão do teatro eram, por ordem de classificação, as produtoras Yellow Star e Meio Termo.

Decorre neste momento um prazo de cinco dias úteis para reclamações. Só depois Sandra Faria aceita falar sobre o projeto artístico e de gestão que entregou à EGEAC, a empresa municipal que detém o Teatro Maria Matos.

"Não estamos a privatizar nada"

No início deste ano, após a saída do programador Mark Deputter para a Culturgest, a vereadora da Cultura da câmara municipal de Lisboa anunciou que o projeto artístico do Teatro Maria Matos seria entregue à gestão de privados, levantando um coro de críticas contra esta decisão. "Não estamos a privatizar nada, estamos a diversificar modelos de gestão", disse Catarina Vaz Pinto ao DN. O objetivo era, desde o início, que uma entidade privada criasse uma programação mais mainstream, para o grande público.

Foi mesmo lançada uma petição pela gestão pública do espaço. Entre os signatários estava o próprio Mark Deputter, mas também coreógrafos como Bruno Cochat, Miguel Pereira, Ana Galante, Ainhoa Vidal e Vera Mantero; os encenadores Ricardo Neves Neves, Gonçalo Waddington, Paula Sá Nogueira e Patrícia Portela; e os músicos Bruno Pernadas, Francisca Cortesão e Tó Trips.

A vida de um teatro

O Teatro Municipal Maria Matos recebeu o nome da atriz que fundou a companhia com o seu nome e foi construído entre 1963 e 1969, a partir de um projeto pouco comum do arquiteto Barros da Fonseca. O edifício tem 15 andares e integra um hotel e um cinema, o antigo King. O seu primeiro diretor artístico foi Igrejas Caeiro.

Foi adquirido em 1982 pela autarquia, acolhendo projetos independentes. Em 2003 passou para a alçada da EGEAC e pela sua direção passaram Miguel Abreu, entre 1999 e 2004, e Diogo Infante. Mark Deputter estava à frente do teatro desde 2008. "A programação foi muito diferente e sempre refletiu quem está à frente do espaço", diz Sandra Faria.

Força de Produção, uma produtora à procura de sala

Nascida em 2015, a Força de Produção já fez cerca de 1500 apresentação pelo país, ilhas incluídas. Da lista de espetáculos constam 40 e Então?, com Fernanda Serrano, Maria Henrique e Ana Brito e Cunha, uma sequela de Confissões das Mulheres de 30, e também Mais Respeito que Sou Tua Mãe!, com Joaquim Monchique, atualmente no Teatro Villaret. Pelo país anda, em digressão, o espetáculo Deixem o Pimba em Paz, com Bruno Nogueira e Manuela Azevedo.

A Pior Comédia do Mundo é o próximo espetáculo. Vai estar em cena no Teatro da Trindade, a partir de 12 de setembro, por quatro meses. "É uma co-produção com o Teatro da Trindade". Do elenco fazem parte José Pedro Gomes, Jorge Mourato, Ana Cloe, Cristovão Campos, Elsa Galvão, Fernando Gomes, entre outros. E no Villaret vai estar uma nova peça com Fernanda Serrano, Ana Brito e Cunha e Pedro Lima, Os Vizinhos de Cima.

"Na curta vida da Força de Produção andámos sempre a saltitar", diz Sandra Faria, sobre a vontade de se estabelecerem num teatro. "Fazem falta teatros, não há salas em Lisboa. Era importante ter uma com todas as condições". O Maria Matos, com capacidade para cerca de 500 espectadores, sofreu obras no início do século XXI.

"Mas quem pensa que é fácil, não é. É um trabalho árduo. Este caderno de encargos era muito diferente do Teatro do Capitólio", diz a produtora, comparando com a sala, também da EGEAC, com programação da Sons em Trânsito. "Nesse, a EGEAC paga o funcionamento, o que não acontece no Maria Matos. Aqui tudo é da responsabilidade do arrendatário".

É também uma resposta a quem se surpreendeu com o valor do arrendamento do teatro, 3 mil euros mensais. "Quem o diz, esquece tudo o resto, os custos de funcionamento da sala".

Três teatros com novas direções artísticas

A EGEAC fez várias mudanças na gestão dos teatro, incluindo a redistribuição dos 25 trabalhadores do Maria Matos.

Uma parte da equipa está agora no LU.CA, o Teatro Luís de Camões, com uma programação integralmente dedicada ao público infantil e juvenil, nomeadamente Susana Menezes (que já tinha o 'pelouro' da programação para os mais novos no Maria Matos). Abriu oficialmente no dia 1 de junho.

Também em mudanças está o Teatro do Bairro Alto, antiga sede do Teatro da Cornucópia. Está pensado para acolher projetos emergentes e experimentais.

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