Filme-proveta para fazer do Algarve um grande estúdio da Europa

Na apresentação de There Is Always Hope, grande produção inglesa rodada no Algarve, percebeu-se que a região vai ser "estúdio" de várias filmagens estrangeiras. Não é por acaso que a MovieBox inaugura em 2021-2022 um gigantesco estúdio em Loulé e que tem criado uma plataforma revolucionária para ser rival da Netflix.

Uma história de desencontros familiares para o grande público com a suposta qualidade britânica. É assim que There Is Always Hope, produção inglesa que durante 14 dias foi rodada em Loulé e Ferragudo, foi apresentada nesta semana à imprensa internacional no Algarve - o primeiro grande filme internacional rodado em Portugal em tempos de pandemia.

Realizado por Tim Lewiston e com Colm Meaney (O Puto) como protagonista, trata-se de um drama familiar filmado inteiramente segundo as mais apertadas regras sanitárias para suprimir a pandemia.

There Is Always Hope é a primeira produção de um estúdio que se está a instalar no Algarve, a Moviebox, cujo plano é trazer grandes produções internacionais para o sul de Portugal, neste caso em associação com a produtora portuguesa Spy Manor, gerida por Vanda Everke, sediada em Ferragudo, mesmo ao lado de Portimão.

Na apresentação na sede da Spy Manor, Julian Hicks, da produtora Moviebox, destacou o facto de Portugal ser neste momento um dos melhores locais do mundo para se filmar em tempos de pandemia, sobretudo no Algarve. There Is Always Hope, segundo os produtores, é um exemplo de esperança para estes tempos cinzentos, não só pelos incentivos fiscais das autoridades mas também pelo clima e por toda uma boa vontade da região.

Este filme que está a ser terminado no Reino Unido teve uma equipa técnica substancialmente composta por técnicos portugueses e presença no elenco de atores como Cristina Cavalinho e Francisco Fernandes. "Filmar aqui é muito mais fácil do que em Inglaterra", avança o produtor inglês. Se não houver atrasos, este filme estará pronto em março.

O DN sabe que, em resultado dos ecos desta produção, há uma série de outras produções já em fila para serem rodadas no Algarve. Nesta encontro com a imprensa, os produtores realçaram também que em tempos de pandemia foi fácil a articulação com as autoridades sanitárias. Depois de um protocolo complicado discutido em todas as vírgulas com as autoridades regionais de saúde conseguiu-se que uma equipa de 80 técnicos e artistas nunca tenha tido um caso positivo de covid-19, mercê de um respeito metódico pelas regras e de testes de despistagem quase diários, conforme o making of mostrado à imprensa demonstrou.

"De alguma forma, estas regras tiveram um condão positivo: gerou-se uma proximidade. Muitos dos atores ingleses disseram que mesmo com todas as restrições e bolhas, esta foi a melhor experiência de cinema da vida deles", salienta Julian Hicks.

Manuel Baptista, da Loulé Film Office, salienta que a região está bem preparada devido à importância do Algarve Biomedical Center, centro de investigação na linha da frente da testagem à covid-19: "Só assim esta produção conseguiu fazer tantos testes numa equipa que chegou a 160 pessoas, contando com figurantes e pessoal de hotel. A nossa tarefa tem agora este acréscimo de responsabilidade de fazer as pontes com as autoridades sanitárias e garantir que tudo é feito em segurança. Estamos neste momento a receber as diversas produções que estão escalonadas para o Algarve."

Se em breve o estúdio da Moviebox será uma realidade e supostamente o maior em Portugal, a mesma Moviebox está no mercado com uma plataforma em Portugal para trazer curtas-metragens gratuitas e algum do cinema inédito que não chega ao cinema. Chama-se https://moviebox-premiere.com/ e é uma boa oportunidade para se poder descobrir filmes que não estreiam no circuito comercial.

"A plataforma é também uma forma de distribuir o nosso conteúdo enquanto produtores. Claro que adoramos as plataformas digitais que todos consumimos, mas a ideia aqui é apelar também à própria indústria e aos cineastas. Não queremos ser demasiado grandes, apenas queremos dar ao público uma boa seleção de filmes independentes. Queremos também com a plataforma criar uma comunidade", diz o produtor Julian Hicks, salientando ainda que "o crescimento será sempre orgânico, queremos que esse crescimento agrade a todos os nossos produtores associados. Quem nos visitar poderá encontrar uma boa seleção de filmes mais antigos, mas sobretudo novos títulos. Creio que temos algo para todos os gostos. Espero que os produtores nos contactem para exibirem aqui os seus filmes..."

Nesta apresentação também se ficou a perceber que este é o filme-proveta para toda esta operação de colocar o Algarve como destino de filmagens internacionais, um pouco para esquecer a tentativa controversa de Portimão de ter um estúdio internacional, projeto de 2009 que chegou a ter Joaquim de Almeida a publicitar uma suposta "cidade do cinema". Agora tudo é diferente e até existe o Algarve Film Collective, alavancado pela Loulé Film Office, onde uma série de produtores e técnicos tentam criar uma rede para ajudar que a região tenha cada vez mais filmes e séries internacionais a serem rodados em seu solo. Aliás, este boom recente começou com a rodagem de That Good Night, com John Hurt, inteiramente filmado no Algarve. Estávamos em 2016 e agora, dizem-nos, são muitos os filmes que querem o bom tempo desta região e o facto de a maior parte dos concelhos não estar em estado de emergência.

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