Festival Iminente acusado de criar um "esgoto a céu aberto" em Monsanto

Vídeos partilhados no Facebook mostram descargas feitas na mata de Monsanto, por trás do Panorâmico, onde decorreu o festival. Câmara diz que houve uma "rutura num coletor público" e garante que o Iminente não é responsável pela situação.

Um "esgoto a céu aberto" foi o que o ciclista Frederico Bernardino encontrou este domingo no Parque Florestal de Monsanto, por trás do local onde decorria o Festival Iminente. A denúncia foi feita através de um vídeo, que publicou no Facebook, em que mostrava uma lama cinzenta a escorrer pelo monte naquilo que pareciam ser descargas sanitárias, com bocado de papel higiénico e luvas de plástico. Além disso, o ciclista refere o "cheiro insuportável" no local e acusa a organização do festival estar a poluir a mata de Monsanto:

A mesma situação foi denunciada por outro cidadão, Pedro Santana, que filmou o momento em que, diz, "estavam a despejar o conteúdo das latrinas para a parte de trás das instalações":

Ao DN, a Polícia Florestal de Monsanto confirma que a situação foi detetada no sábado e o caso foi entregue à Proteção Civil.

Em comunicado, ao final da manhã desta segunda-feira, a Câmara de Lisboa explica que foi detetada pelas 14.00 de domingo "uma rutura num coletor público, com a presença de dejetos e de um forte odor junto da encosta circundante ao parque de estacionamento". Uma equipa da Câmara iniciou então "os procedimentos para limpar o terreno através da remoção das terras afetadas, que se encontram numa zona de difícil acesso, garantido que não há qualquer impregnação e contaminação do solo".

A Câmara garante que "ao contrário do que tem sido referido, a presença de dejetos no terreno não está ligado ao uso das casas de banho, que são respeitadoras das mais elevadas normas ambientais, certificadas pela CML".

"Os serviços de saneamento da CML estão, neste momento, a analisar as causas para a rutura do coletor, que tinha sido alvo de uma vistoria a 10 de agosto de 2019 - a anteceder a realização do Festival. Informação mais detalhada e conclusiva sobre o sucedido será divulgada após o final dos trabalhos de inspeção ao local", explica o comunicado.

Também em comunicado, a organização do festival garante que ​"​​​​​​cumpriu rigorosamente todas as diligências, em sintonia com os órgãos da Câmara Municipal de Lisboa, mais especificamente os seus departamentos de ambiente e saneamento, para que todo o ecossistema fosse respeitado e as regras de funcionamento e de descargas cumpridas".

Reforçando que a situação foi causada por uma rutura no coletor, os responsáveis dizem que alertaram as entidades responsáveis assim que tiveram conhecimento da situação. Neste momento, "as equipas competentes estão a tratar de resolver a questão e proceder à reparação da conduta e à limpeza do espaço afetado. Pela nossa parte, contratámos uma empresa que está no local a fazer a aspiração e limpeza dos terrenos. Procuramos desta forma minimizar qualquer tipo de impacto ambiental que possa ter sido causado", adianta a organização.

O Festival Iminente, criado pelo artista Vhils, realizou-se entre quinta-feira e domingo no Panorâmico de Monsanto, um antigo restaurante que é atualmente um miradouro gerido pela Câmara Municipal de Lisboa. Esta foi a segunda vez que o festival aconteceu naquele local. A organização trabalhou ali durante as últimas três semanas para criar de raiz todas as condições para receber cinco mil pessoas por dia, uma vez que o espaço não tem quaisquer infraestruturas nem saneamento básico.

O festival de arte urbana tem na música e nas artes visuais as suas áreas mais fortes. Ao longo dos quatro dias de festival, a organização foi partilhando fotos e vídeos do evento, com algumas das atuações e das obras de arte ali criadas. Neste momento, já há várias pessoas a fazerem comentários questionando o festival sobre estas acusações e também há pessoas a queixarem-se de que os seus comentários foram apagados.

Notícia atualizada às 16.55 com o comunicado da organização do Iminente

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