Arquiteto Vittorio Gregotti está de volta ao CCB

​​​​​Exposição dá a conhecer, em 100 projetos, a obra do arquiteto Vittorio Gregotti, autor do projeto do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa

"Lisboa representa uma parte especial da vida de Vittorio Gregotti e o CCB é um dos seus projetos mais importantes", diz Guido Morpurgo, acrescentando que "o edifício representa algo de novo na cidade, pelas suas características e por ficar localizado numa zona histórica". "Este edifício é intemporal. Está fora do tempo. É algo impressionante", comenta este arquiteto que colaborou durante 15 anos com o atelier de Gregotti e que é o curador da exposição O Território da Arquitetura. Gregotti e Associati 1953-2017.

A retrospetiva é apresentada no âmbito dos 25 anos do Centro Cultural de Belém e percorre mais de seis décadas de trabalho do atelier do arquiteto italiano. A mostra foi remontada para a capital portuguesa, depois de ter estado patente, em novembro de 2017, no Pavilhão de Arte Contemporânea de Milão, na Itália. Por seu turno, André Tavares, programador da Garagem Sul do CCB, onde são apresentadas as exposições de arquitetura, salienta que esta mostra, de seis décadas do trabalho de Gregotti, "permite dar a conhecer o trabalho de um arquiteto que tem uma obra tão importante a nível mundial, incluindo o CCB, que passou a marcar a cidade" de Lisboa.

Gregotti, atualmente com 91 anos, "sempre teve uma presença na sociedade, escrevia nos jornais e deu corpo à arquitetura como um intelectual, aprofundando as lógicas do mundo construído", diz Guido Morpurgo.

A exposição começa na atualidade, com os projetos de 2017, e vai recuando no tempo, atravessando várias décadas de projetos em Itália e noutras partes do mundo, como a China ou a Ucrânia, recuando até 1953, data da criação do atelier.

Entre os projetos apresentados estão a transformação, em 1988, da zona industrial Pirelli, na periferia de Milão, numa universidade que hoje alberga mais de 40 mil estudantes. Também surgem projetos de estádios desportivos, como o "Luigi Ferraris", criado entre 1986 e 1989, o plano para a criação de uma cidade totalmente nova, com 150 mil habitantes, na Ucrânia, ou a construção da também nova cidade de Pujiang, perto de Xangai, na China. Os projetos vão recuando até aos anos 1950, surgindo, na altura, obras como os pavilhões para a III Feira Industrial de Novara, na Itália.

Há uma secção especialmente dedicada ao CCB (1988-1993), com desenhos e uma grande maquete, tendo o curador indicado que nesta mostra foram incluídos desenhos inéditos do arquiteto italiano, reveladores do seu processo de trabalho. Para a criação do CCB, foi feito um concurso internacional, que avaliou 57 projetos acolhidos e selecionada a proposta do consórcio do arquiteto italiano Vittorio Gregotti e do arquiteto português Manuel Salgado. De cinco módulos apresentados no projeto, foram construídos três: o Centro de Reuniões, o Centro de Espetáculos e o Centro de Exposições, estando previsto para breve o lançamento da construção dos restantes para a criação de um hotel.

A exposição apresenta um vasto conjunto de livros da autoria de Vittorio Gregotti ou de outros especialistas sobre a sua obra, fotografias e maquetes originais, selecionadas entre mais de 1.200 projetos que percorrem os 60 anos de trabalho.

A exposição fica patente no CCB até 27 de janeiro de 2019.

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