Ex-Monty Python Terry Gilliam ao ataque. "O politicamente correto de Hollywood é ridículo"

O realizador que integrou os Monty Python e fez esta sexta-feira 79 anos critica a ideia de que um personagem transexual tem que ser interpretado por um ator transexual. "E se for um serial-killer? É preciso alguém que tenha assassinado muitas pessoas?"

Após receber um prémio no Festival Internacional de Cinema do Cairo, o realizador Terry Gilliam falou em defesa de mais ação para conter as alterações climáticas e depois disparou em tom crítico. Atacou Donald Trump e denunciou o politicamente correto que vigora atualmente em Hollywood.

Falando na capital egípcia no dia em faz 79 anos, o cineasta norte-americano, conhecido por clássicos como "Brazil" e "Fear and Loathing in Las Vegas", não poupou críticas ao presidente dos EUA e elogiou o testemunho da ex-especialista da Casa Branca na Rússia, Fiona Hill, nas audiências de impeachment que decorrem no Congresso. "Se alguém derrubar Trump, será Fiona Hill", disse Gilliam no Cairo, citado pela AFP.

O diretor que fez parte dos célebres Monty Python recebeu um prémio de carreira no festival africano e abordou o impacto das alterações climáticas, considerando que o acordo de Paris de 2016 não foi suficiente para combater a degradação ambiental.

"Só temos este planeta e não há dúvida de que estamos com grandes problemas. Já ultrapassamos a marca do perigo", disse. "Continuamos a gastar biliões para tentar chegar a Marte mas, na época em que acontecer, este planeta já será parecido com Marte", acrescentou.

Sempre polémico, Gilliam ridicularizou as tentativas de tornar os filmes socialmente mais inclusivos, principalmente no que diz respeito a género e raça. "Em Hollywood, há muita pressão. Se alguém criar um personagem transexual, então tem que ter um ator transexual. É ridículo. E se quiser ter um serial-killer, precisa de um ator que tenha assassinado muitas pessoas? É ilógico", disse à AFP.

Referiu-se depois à atriz Zoe Saldana, que foi criticada por interpretar a cantora de soul Nina Simone, dizendo que ela foi atacada injustamente, por ter escurecido a pele para obter o papel. "Se eu vou interpretar um italiano num filme, claro que vou escurecer a minha pele, para tentar parecer uma pessoa do mediterrâneo", afirmou.

No ano passado, Terry Gilliam provocou uma tempestade ao dizer que atrizes ambiciosas "pagaram o preço" ao fazer sexo com o executivo de cinema Harvey Weinstein. Desde então, não fez mais este tipo de comentários, descrevendo agora Weinsten como um "verdadeiro monstro", mas admitiu que um comportamento semelhante na indústria cinematográfica é provavelmente inevitável. "Hollywood sempre foi e provavelmente continuará a ser sobre poder. E o poder é sempre um abuso", disse.

O festival do Cairo, que prossegue até 29 de novembro, foi o primeiro festival de cinema árabe a assinar o Compromisso de Paridade de Género, lançado no ano passado no Festival de Cannes. O compromisso visa promover a igualdade de género na produção de filmes após o escândalo Weinstein e o #MeToo.

O último filme de Gilliam, "O Homem que Matou Dom Quixote", foi alvo de uma batalha judicial com o produtor português Paulo Branco que se desentenderam e lutam nos tribunais pelos direitos do filme.

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