ESTREIAS: Música e lendas brasileiras dominam estreias da semana

Os temas brasileiros marcam a atualidade cinematográfica graças às estreias de Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos e My Name Is Now - isto na semana em que passam 80 anos sobre o nascimento de Glauber Rocha.

Muitas vezes dizemos, e com razão, que há uma relação deficitária entre o mercado audiovisual português e o cinema brasileiro. De facto, a importação dominante do Brasil - entenda-se: a telenovela - está longe, muitíssimo longe, de ser representativa da pluralidade e vitalidade da expressão cinematográfica brasileira.

Daí o destaque, esta semana, para dois títulos ligados a temáticas brasileiras. Um deles, Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos, tem assinatura de uma brasileira, Renée Nader Messora, e um português, João Salaviza. Nele encontramos uma aproximação documental dos índios krahô, no estado de Tocantis, que a pouco e pouco, delicadamente, se vai transfigurando numa viagem pelo imaginário das lendas de um povo resistindo aos valores mais maniqueístas da civilização urbana - foi Prémio do Júri na secção "Un Certain Regard" do Festival de Cannes de 2018.

A outra estreia apresenta um sugestivo título em inglês: My Name Is Now. Porquê? Porque a sua protagonista, a mítica cantora Elza Soares, gosta de usar tal expressão (à letra: "o meu nome é agora") para definir a sua paixão pelo momento presente, pela urgência do aqui e agora. Descobrimos, assim, em sugestivo ziguezague, as canções de Elza Soares e o seu próprio testemunho sobre as alegrias e tristezas de uma vida de mais de 80 anos. Realizado por Elizabete Martins Campos, My Name Is Now é mais um título com chancela da distribuidora Nitrato, entidade que tem mantido uma actividade regular na divulgação da produção brasileira nas salas portuguesas.

Ainda em tom brasileiro, importa citar o nome de Glauber Rocha. Isto porque se assinala o 80º aniversário do seu nascimento, a 14 de março de 1939 (faleceu em 1981, contava 42 anos). Nome grande do Cinema Novo brasileiro, Glauber viveu algum tempo em Portugal, tendo colaborado em As Armas e o Povo (1975), filme colectivo sobre o Portugal pós-25 de Abril.

Vale a pena recordar que é possível descobrir a sua fascinante filmografia através de uma edição em DVD ("Colecção Glauber Rocha") que reúne cinco fundamentais longas-metragens, desde a primeira, Barravento (1962), até à última, A Idade da Terra (1980), passando por Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e António das Mortes (1969).

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