ESTREIAS: Campeões - chorar a rir ou rir a chorar...

O candidato espanhol aos Óscares e vencedor dos Goya chega a Portugal. Campeões é uma comédia de Javier Fesser sobre igualdade de oportunidades. Foi um caso nacional em Espanha onde teve mais de 3 milhões de espetadores.

Um cineasta de cinema comercial de gosto duvidoso (Camino e os filmes da dupla Mortadela e Salamão são aberrações tremendas!) e a sua bofetada de luva branca. Quando não se esperava, o espanhol Javier Fesser oferece um filme de grande e para todos os públicos: uma comédia emocional que toca bem forte no coração. Não que estejamos na presença de um objeto subtil e elaborado, nada disso. Campeões é de uma eficácia a toda a prova, seja na forma como provoca gargalhadas secas, seja como produz nós na garganta.

Esta história que levou mais de 3 milhões de espanhóis ao escurinho do cinema é um relato de uma equipa de basquetebol de jogadores com "deficiências intelectuais" treinados por um treinador conceituado. Um quarentão obrigado a cumprir pena de trabalho comunitário após ter sido apanhado a conduzir alcoolizado. "Deficientes intelectuais?", pergunta alguém e surge a piada se serão intelectuais em cadeiras de roda. Mas nesta equipa não se fala de Proust e esta mistura de autistas e portadores de síndroma de Down pode não ter atletas normais mas todos têm um humor contagiante. Em vez de "anormais" são extraordinários mesmo quando têm dificuldade em encestar ou

Vendido como "comédia séria", Campeones emociona sem se esforçar. A história pessoal da redenção do treinador com síndrome de Peter Pan conjugada com as particularidades dos seus jogadores resulta bem e cria uma corrente humana mais descontraída do que forçada. Em última instância, é um filme de um humanismo que parece orgânico, mesmo quando quase sempre segue uma fórmula. E aí a música a sinalizar aquilo que é momento piegas ou para rir mói um pouco a paciência do público. Os gags com coração são os que surtem melhor efeito e toda a galeria dos "craques" é uma notável coleção de personagens, cada uma delas tratada com o tempo devido e um cariz nato de comédia.

Fesser arrisca em algo perigoso: brincar com os problemas de deficientes, mas fá-lo de câmara aberta àquilo que de mais peculiar e singular se encontra no ser humano. E petisca quando consegue dar a esses atores especiais uma compleição de desenho animado que nunca cai na caricatura. Campeões é uma surpresa que poderia ser ainda maior se o realizador não fosse aqui e ali tão manipulador ou se tivesse sabido gerir bem melhor o tempo dos planos - fica-se com a ideia que é tudo abreviado, um pouco a despachar... Ainda assim, está aqui a primeira boa surpresa deste verão.

*** Bom

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