ESTREIAS: 'Ártico' ou como o cinema se dá bem com o frio

Numa temporada primavera/verão dominada pelas promoções de super-heróis, "Ártico" é uma pequena grande descoberta: a saga de um homem perdido na imensidão do gelo resultou de uma coprodução Islândia/EUA.

Em semana de estreia de mais um título rotineiro da saga dos super-heróis da "franchise" X-Men, a verdadeira emoção cinematográfica está onde menos esperaríamos encontrá-la: Ártico, sobre a odisseia de um homem perdido em paisagens geladas, consegue a proeza simples, mas contagiante, de nos reconciliar com o clássico espírito de aventura.

De facto, a câmara do realizador Joe Penna dá-se bem com o frio que ameaça a personagem interpretada pelo dinamarquês Mads Mikkelsen. Penna é um brasileiro, aqui a estrear-se na longa-metragem, depois de se ter tornado conhecido através do seu canal do YouTube ("Mystery Guitar Man"). Mikkelsen, dinamarquês, ganhou fama internacional a partir da sua participação em 007: Casino Royale (2006), tendo sido distinguido com o prémio de melhor ator, em Cannes, com A Caça (2012), de Thomas Vinterberg. Enfim, Ártico, rodado em paisagens islandesas, resulta de uma coprodução Islândia/EUA.

A história da produção dos filmes ensina-nos que estes cruzamentos de nacionalidades nem sempre geram objectos consistentes: por vezes, a coesão artística é sacrificada para satisfazer apenas as regras dos contratos financeiros. Assim não acontece em Ártico, sobretudo porque Penna tem o bom senso de não sobrecarregar o filme com grandes derivações "simbólicas". O essencial joga-se, aqui, através da relação da personagem com a paisagem gelada - dir-se-ia que a paisagem é mesmo a personagem central - e, a partir de certa altura, com o facto de o herói ter por companhia uma mulher gravemente ferida (Maria Thelma Smáradóttir).

Acompanhamos a saga do protagonista um pouco como quem segue uma reportagem sobre um exercício de sobrevivência em que todos os gestos contam - da preservação dos escassos alimentos até ao cuidado com que se coloca um pé na ponta de uma rocha que o gelo não cobriu. Enfim, em tempos de novo riquismo tecnológico, incluindo a "santificação" de produções que não sabem utilizar o gigantismo das salas IMAX em que são projetados, Ártico é, afinal, um filme que sabe fazer justiça às potencialidades do grande ecrã.

FOXTROT - Foi o representante de Israel na corrida a uma nomeação para o Óscar de melhor filme estrangeiro de 2017 (que não obteve). Realizado por Samuel Maoz, nele se narra, de forma contundente e subtil, a tragédia de uma família que recebe a notícia da morte do filho em combate - um grande filme sobre as clivagens afetivas e ideológicas entre as identidades individuais e o espírito coletivo.

A VIDA SECRETA DOS NOSSOS BICHOS 2 - Também há sequelas na animação. Neste caso, trata-se de continuar a seguir as aventuras e desventuras dos cães e gatos que ficam em casa, esperando ansiosamente (ou não...) que os donos regressem dos empregos. Kevin Hart e Harrison Ford estão entre as vozes originais.

X-MEN: FÉNIX NEGRA - Curiosidade industrial: este será o derradeiro título da série "X-Men" gerado nos estúdios da 20th Century Fox, ainda antes da respetiva integração no império Disney pela módica quantia de 71,3 mil milhões de dólares... Grande agitação nas tesourarias e cada vez menos criatividade cinematográfica - os super-heróis estão mesmo em crise.

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