Anna é a nova Nikita de Besson

Espetáculo de ação para o verão, Anna - Assassina Profissional tem Luc Besson a copiar a história e o estilo do seu Nikita. 30 anos depois, o francês continua a filmar mulheres com armas e pontapé forte...

Godard disse que para fazer um bom filme basta uma rapariga e uma arma. Essa "boutade" machista nunca saiu da cabeça de Luc Besson, o realizador comercial mais poderoso em França. E em Anna a máxima é alimentada com uma rapariga top model e um arsenal de armas para envergonhar Tancos. A Anna desta história é uma agente assassina do KGB obrigada a disfarçar-se de modelo e cumprir sem hesitar as suas execuções. Mas quando é confrontada pelos serviços secretos americanos chega a altura para tomar decisões.

Depois de Nikita (1990) e Léon - O Profissional (1994), Besson nunca mais fez esse tipo de cinema de ação, mas Anna, sem ser reinvenção de alguma espécie, é uma declarada carta saudosista a esse cinema. Cinema de "look" com veneração a uma estética muito própria, onde a aceleração e desaceleração da câmara são uma das marcas "registadas". Sente-se é que neste capítulo o tempo não volta atrás. Anna, além de não trazer nada de novo, parece requentado e um sub-produto de filmes como o recente A Agente Vermelha, protagonizado por Jennifer Lawrence.

Aqui, temos direito a uma galeria de personagens em que o sentir e o pensar se resume a lugares comuns tão repisados, sobretudo quando vemos as personagens de Luke Evans e Helen Mirren, clichés soviéticos que os atores alimentam como se o espaço lúdico de uma fábula de cinema fosse uma brincadeira de teatro amador. Trata-se de uma KGB imaginada por uma criança de 12 anos. Nesse sentido, sente-se realmente que Luc Besson quer à viva força reencontrar a pureza do seu cinema dos anos 1990 mas as armadilhas começam mesmo na exaltação do inverosímil.

E a receita dos corpos bonitos e cenários cosmopolitas atraentes cai também noutra armadilha: a objetivação do corpo da mulher, por muito que Besson queira piscar o olho à ideia de uma pintura de personagem feminina heroína. Os níveis homogéneos de percepção do próprio género "action movie" à Hollywood são traídos pela falta de novidade, mesmo quando se advinha que na génese este argumento pedia um impulso sexual sem tantos soluços.

Nos EUA, Anna - Assassina Profissional passou ao lado. Por cá, a sua fórmula de narrativa em múltipla fragmentação e os seus inúmeros "twists" podem alegrar espetadores juvenis pouco exigentes e sem memória cinéfila. Dá pena perceber que Luc Besson já não vai voltar aos grandes tempos de Vertigem Azul ou precisamente Nikita - Dura de Matar. Está acabado...

** Medíocre

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