"Estou desalentado com o regime democrático português, sobretudo pela corrupção"

O famoso Questionário de Proust respondido pelo professor de turismo e arquiteto Jorge Mangorrinha.

A sua virtude preferida?

Os mais próximos falam de mim como um defensor de causas.

A qualidade que mais aprecia num homem?

Inspirador de confiança.

A qualidade que mais aprecia numa mulher?

Substância.

O que aprecia mais nos seus amigos?

Presença, daí serem poucos.

O seu principal defeito?

Lutar por um tempo que não é este, por este ser caracterizado pelo facilitismo, pela incompetência e pelo chico-espertismo.

A sua ocupação preferida?

Para além das profissionais, presentemente, escrever poesia inspirado, sempre, no amor e na natureza em diálogo.

Qual é a sua ideia de "felicidade perfeita"?

Predisposição recíproca entre duas pessoas que se amam.

Um desgosto?

Viver num país que não reconhece, de todo, os inteligentes, mas que prefere os espertos.

O que é que gostaria de ser?

Viajante do tempo para ir ao encontro de antepassados. E regressar, se for esse o meu desejo, para contar como foi.

Em que país gostaria de viver?

Para além de Portugal, a Dinamarca, talvez pela organização, pelo respeito pela paisagem e por ter sido a minha primeira grande viagem, em jovem.

A cor preferida?

A simbiose entre o azul e o verde da natureza.

A flor de que gosta?

Rosa.

O pássaro que prefere?

Por ironia, o Passarinho Alentejano, título de uma moda para cante, de que fiz letra e música.

O autor preferido em prosa?

Gonçalo Ribeiro-Telles, pelo pensamento integrado do território e da paisagem.

Poetas preferidos?

Sophia de Mello Breyner Andresen e Joaquim Pessoa, para escolher um elemento feminino e um masculino, que leio e releio.

O seu herói da ficção?

Woody Allen, como brilhante realizador e ator, fora da caixa.

Heroínas favoritas na ficção?

Juliette Binoche e Heidi, como interpretação e beleza pura e, na segunda escolha, como um recuo à infância.

Os heróis da vida real?

Os meus pais, por tudo, e António Ramalho Eanes, pela figura proeminente e humanamente íntegra neste regime político.

As heroínas históricas?

Rainha D. Leonor de Lencastre, pela inteligência, a argúcia e a filantropia, e Catarina Eufémia, como imagem simbólica da luta contra o totalitarismo e a exploração.

Os pintores preferidos?

Paul Cézanne e Amadeo de Souza-Cardoso, pela charneira para o modernismo na pintura.

Compositores preferidos?

Bach e Ennio Morricone, apenas para nomear falecidos.

Os seus nomes preferidos?

Os de quem amo e os meus próprios.

O que detesta acima de tudo?

A ignomínia, por exemplo nas redes sociais.

A personagem histórica que mais despreza?

Nenhuma, porque o desprezo é o sentimento mais fútil, até porque para a história todos contam.

O feito militar que mais admira?

O 25 de Abril de 1974 conjugado com o 25 de Novembro de 1975, mas que a história mais recente tem vindo a deturpá-los nas suas essências e esperanças.

O dom da natureza que gostaria de ter?

Ser vento para ser brisa, que é tudo o que o mundo precisa.

Como gostaria de morrer?

Sem sofrimento, a dormir, junto de quem mais amo.

Estado de espírito atual?

Desalentado com o regime democrático português, sobretudo pela corrupção, pela destruição irreversível da paisagem urbana e pela desqualificação da classe política.

Os erros que lhe inspiram maior indulgência?

Nenhum.

A sua divisa?

Nunca deixar de dizer ou de escrever o que penso.

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