Elogio do documentário

A grande viragem terá acontecido em 2004, quando Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, foi a Cannes ganhar a Palma de Ouro: o circuito dos grandes festivais abria-se à "alternativa" documental, expondo-a a par das obras de ficção. Agora, em Berlim, um dos acontecimentos marcantes da competição (Prémio do Júri) foi, justamente, uma obra-prima do documentário: Herr Bachmann und seine Klasse, de Maria Speth, constrói um delicado retrato do dia-a-dia de uma turma de uma escola de Stadtallendorf, cidade onde se cruzam habitantes de muitos países europeus. Daí que o domínio da língua alemã seja uma das questões enfrentadas pelo professor Dieter Bachmann, administrando com invulgar agilidade pedagógica um conjunto de jovens que, necessariamente, refletem as diferenças culturais das suas origens - grande cinema documental, mostrando e demonstrando que o entendimento humano envolve sempre as ficções que trocamos uns com os outros.

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